Postado por blocose7e Em
agosto - 26 - 2010ADD COMMENTS
Veja nos players abaixo, dois vídeos do vocalista e guitarrista do The Get Up Kids, Matt Pryor, tocando as músicas “Your Petty Pretty Things” e Tommy Gentle, acompanhado apenas por um violão, em uma sessão acústica para o site The Fly.
Essas músicas são parte do último EP da banda Simple Science, deste ano, e que você pode encontrar a resenha do mesmo clicando aqui.
Postado por blocose7e Em
agosto - 26 - 2010ADD COMMENTS
Para quem é infiel e não conhece Lou Barlow, aqui vai o único motivo necessário para ouvir seu novo single, “Gravitate”: este cara é o baixista e um dos membros fundadores do Dinosaur Jr (Que esperamos ansiosamente no Brasil, nesse mês de setembro).
Com um extenso material de trabalhos solos e paralelos ao Dinosaur Jr., como o Sebadoh e Folk Implosion, Barlow disponibilizou para streaming a primeira música de seu novo trabalho, Goodnight Unknown.
Postado por blocose7e Em
agosto - 25 - 20102 COMMENTS
Existem bandas que se tornam marcantes, antes mesmo de serem ouvidas pela primeira vez. Pelos integrantes, pelo espírito demonstrado e pela vontade que tem em fazer algo em constante evolução.
A primeira vez que ouvi o Plastic Fire, fiquei com a sensação de que tinha tudo pra ser uma das melhores bandas de hardcore nacional, mas faltava algo. Depois de ver o show dos caras, pensei que estava ficando maluco, pois os caras realmente são uma das melhores bandas do gênero na atualidade.
E digo da nova e da não tão nova safra. Impressionante a forma como a banda se impõe e te obriga, inconscientemente, a se movimentar, cantar, pensar e voltar no tempo de jovem e se jogar em circle pits novamente.
Voltei a ouvir os sons que tinha dos caras e cheguei a uma conclusão. Eles precisavam gravar algo que fosse condizente com o que faziam ao vivo.
Então no último dia 15 de agosto, finalmente é divulgado o primeiro single do novo álbum da banda, com previsão de lançamento no final deste ano. E sinceramente, morreria satisfeito após de ouvir a rápida, técnica e destruidora “O Preço de Ser Impessoal”.
Por que morreria feliz? Porque era disso que eu estava falando Brasil! Você consegue sentir tudo o que sente no show dos caras, além de lembrar o motivo de gostar tanto de hardcore. Tantas bandas procurando fórmulas, um novo caminho, se sustentando de meias verdades e esses quatro cariocas só fazem o simples:
São sinceros, acreditam no que fazem e não tem medo de fazer o autêntico hardcore num mercado recheado de pré-adolescentes sedentos por muito glitter, luz e arco-íris.
Se você quer levar um soco na cara, que desmonta todas as suas convicções, baixe agora o single do Plastic Fire, “O Preço de Ser Impessoal”AQUI. Se não baixar, você é um idiota. Simples assim.
Postado por blocose7e Em
agosto - 25 - 2010ADD COMMENTS
Lançado a menos de dois meses, gravado e mixado pelo baterista Henrique Pucci e masterizado na gringa por Paul Miner, History Bleeds abre com “No Hard Fellings? Fuck You!”, um som que já deu pra perceber que funciona muito bem no show também (a banda já vinha tocando em algumas apresentações). Em breve terá seu vídeo clipe lançado, já que foi filmado no lançamento do disco no Inferno Club.
Em “Scars of Life” o lado heavy metal do Paura é mostrado ao fim do som. “Land of Heroes and Villains” traz a primeira participação do cd, Paulito (Clearview). “Burning The Flags” traz influência do hardcore rápido, impossível não fazer um batuque com a mão na perna ou na mesa com essa música que tem um pouco mais de 1 minuto. “Not Over Yet” tem a participação de Leandro (Fim do Silêncio) no que podemos classificar como, refrão da música, e é bem marcante, daqueles que ficam na cabeça por um tempo após ouvir. “This Is Emergency” é mais uma das músicas que certamente abrirá circle pits nos shows, se executada. Certamente um dos destaques do disco. Pra fechar o disco “Histoyry Bleeds”, e já que leva o nome do disco, tem a missão (bem executada) de ser um ótimo som, com interlúdio e tudo. A escolha de vocal de Hélio (Jeffrey Dahmer), responsável pela arte do disco, como participação na faixa encaixou perfeitamente com o som do Paura.
Após voltar de turnê Européia, eles vão mostrar mais desse trampo em solo nacional.
Uma boa oportunidade de ver isso tudo em ação é no próximo domingo na HOLE CLUB.
Pelos integrantes que tem na banda, Zeh (Boderlinez, Gala Monstro e Holly Tree) no baixo/voz, Plínio (Middlename) guitarra/voz, Paulo (Killi) guitarra/voz e Rafael (Feijão com Arroz e Don Vito e Seus Foguetes) na bateria; podemos esperar mais uma banda boa dessa onda que surgiu para salvar a música boa que predominava no começo da década no nosso underground.
O Last Post está trabalhando na gravação do seu primeiro EP que contará com 7 músicas. O processo está sendo realizado no Estúdio Rocktogheter(com exceção da batera que foi gravada no Nimbus) sobre os cuidados de Otávio Boi(que recentemente gravou os ótimos trabalhos do Chuva Negra e do Dance Of Days) e da própria banda.
Pra quem quiser conferir ao vivo, a banda se apresenta dia 01 de outubro no Hangar 110, no aquecimento pro show do Green Day.
Postado por blocose7e Em
agosto - 25 - 20103 COMMENTS
Foto por xDecox
Depois de diversas formações, até chegar à atual, os “macacos véios” da cena paulistana formam uma das bandas mais comentadas do momento e enfim, lança seu cd para download no Tramavirtual. “Terapia” foi gravado por Otavio Cavalheiro no Rocktogether e masterizado nos Estados unidos por Jason Livermore (que tem no currículo nomes como Rise Against, Comeback Kid e NOFX).
“Pelo Vale da Sombra” abre o cd de forma empolgante em apenas ’1:20, deixando bem claro a que veio a banda, música pesada e melódica. “AMOSP” vem na mesma pegada do som de abertura e fala sobre a cidade natal da banda e todo seu caos. Em seguida vem duas músicas que viraram os primeiros hits do Chuva Negra, já que a cerca de 2 meses atrás a banda havia liberado alguns sons na net, são elas “NãoFoda Com a Noite” e a (não menos empolgante)“A Teus Olhos” que pela primeira vez no cd, ultrapassa os 2 minutos de música. “EstamosAaqui, Chuva Negra”, eu encarei como uma música de auto-ajuda, traduzida em um belo cartão de visita, já que leva o nome da banda. “1 a 2″ possui um interlúdio bem executado que se estende até o fim da música. Mais dois “hits” que já eram conhecidos pela galera vem em seguida: a pesada “OCP” e (minha favorita) “Classe de ’97″.
Em uma vinheta sensacional, Luiz Carlos Alborghetti, com todo seu carisma, traz “Nós Queremos a Lei” e, coladíssima, “Nós Somos a Lei”, essa sim, a mais pesada do cd.
Em “Alto Demais”, encontrei um momento pra respirar, uma música mais calma, mas sem perder a pegada. “Alguns Anos No Lixo” e “Fina Linha Entre a Malandragem e a Babaquice” retomam a agressividade sonora com bateria acelerada e guitarras corridas.
Para fechar o cd, em “Olá Vanguarda”, eu encontrei uma mensagem subliminar, talvez não seja bem isso que o Chinho quis dizer com isso, mas “tanto faz, eu me divirto mais, eu quero mais é que essa festa exploda” cabe muito bem pro cenário atual do nosso underground. “Terapia” deixa claro que é de terapia, mesmo, que algumas bandas da cena precisa pra tomar o rumo certo.
Postado por blocose7e Em
agosto - 25 - 2010ADD COMMENTS
O Hardcore do Take Off The Halter, vem surpreendendo quem o escuta, fazendo a felicidade de quem espera em meio a escassez das bandas que fazem Hardcore “de verdade” na cena underground de São Paulo algo que faça a diferença com música de qualidade, sabendo deixar o que é “simples”, bem elaborado.
O TOTH é formado por Cauê (bateria), Rafael (baixo), Fernando (guitarra), Danilo (guitarra/backing vocal) e Victor no vocal, fazendo um Hardcore melódico com uma notável influência do metal e de bandas como This Is A Standoff, Strung Out, Bad Religion e No Use For A Name.
A batida acelerada traz letras em inglês, que protestam de forma agressiva, mas ao mesmo tempo inteligente a respeito da situação política atual, sobre a manipulação aplicada pela mídia e a ignorância da sociedade.
Os jovens do Take Off The Halter, já abriram shows como o do No Fun at All, NOFX e A Wilhelm Scream, três das bandas mais renomadas da cena. E vem divulgando seu som através do EP We Took Off (2009), indo contra as opiniões formadas e utilizando o Hardcore como uma ferramenta para mostrar que algo está errado em nossa sociedade.
A banda é altamente recomendada para quem está à procura de uma “injeção” na pegada Hardcore nacional. E é notório que eles tem futuro aqui ou lá fora.
“Em mim vai injetar até eu entrar em choque e a pressão cair, antes da parada cardíaca. Barbitúricos de ação rápida estão me dominando” este trecho traduzido da música Injection, nos faz sentir um pouco do que o Take Off The Halter tem a nos oferecer.
Esta apresentação foi feita pela mais nova colunista da BlocoSe7e, e mais nova também cabe a sua idade, apesar dos 17 anos, Luisa Ferraz mostra a maturidade de um Hot Water Music, a energia de um Agent Orange e a vitalidade de um Take Off The Halter, banda que está cheia de novidades.
A jornada promissora dos caras segue em ritmo alucinado, depois de tudo que a Luisa introduziu no texto acima, o quinteto já se prepara para uma turnê no sul do país nos meses de outubro e novembro, inclusive fazendo a abertura dos shows do Millencolin em Porto Alegre (11/11) e Curitiba (12/12).
Além disso, a banda está prestes a lançar seu EP pelo selo japonês Bells On Records, que por iniciativa própria foi atrás dos caras.
Para finalizar a série de novidades, o Take Off The Halter está tentando uma vaga para a participação no Festival SWU. Para ajudá-los é muito fácil, clique no link: http://www.oinovosom.com.br/swu e digite “Take Off The Halter“, em seguida confirme a votação. As votações podem ser feitas todos os dias até o dia 26 de setembro.
Você que acessa esse humilde site, está convocado e será pressionado a votar freneticamente nesses caras que merecem muito uma oportunidade dessas.
Boa sorte para o Take Off The Halter e muitas boas vindas para a Luisa Ferraz, que é tão talentosa nas palavras quanto o TOTH é na música.
Postado por blocose7e Em
julho - 24 - 20101 COMMENT
Acontece hoje e amanhã um belíssimo Festival de Hardcore na cidade do Rio de Janeiro. Contando com a presença de bandas de várias partes do Brasil, o CHC Festival III mostra que o Hardcore Melódico voltou a ter muito espaço na cena independente. A qualidade das bandas cresceu muito e o público que está sendo renovado, parece estar aprendendo a dar valor ao que é bom de verdade na cena.
Depois de algumas mudanças no line up, foram confirmadas dez bandas que já são a realidade do novo hardcore nacional.
Postado por blocose7e Em
julho - 14 - 20102 COMMENTS
Em entrevista para o site Punk CD Sampler, Chuck Ragan do Hot Water Music, falou sobre seu trabalho solo, bem como seu trabalho com o HWM. Chuck mencionou que tem um grande volume de material, incluindo um com a colaboração de Brian Fallon, do The Gaslight Anthem. Ele explicou:
Ultimamente tenho escrito muito e trabalhado em composições para um álbum junto com Brian Fallon, do The Gaslight Anthem. Nós não temos nada concreto, assim que tivermos, iremos gravar, é apenas algo que queremos fazer. Estamos apenas trocando idéias de músicas e deixando as coisas rolarem.
Nós temos trocado demos desde outubro do ano passado. Estamos indo devagar, mas está rolando, mesmo que em banho-maria, pois o Gaslight está a pleno vapor desde que lançou o ultimo álbum. Estamos empolgados, mas trabalhando forte em nossos projetos pessoais. É algo que queremos fazer, e vai rolar, é só uma questão de tempo, quando e onde. Nós conversamos sobre isso rolar no começo do ano que vem, de nos juntarmos e vermos onde tudo isso chega. Mas não há grandes pretensões, estamos apenas nos divertindo. Por isso queremos deixar tudo numa boa e fazer um grande álbum.
E você tem duvidas que este deve ser o melhor álbum dos últimos anos? Eu não.
Postado por blocose7e Em
julho - 13 - 20101 COMMENT
Em homenagem ou lembrança ao Dia Mundial do Rock, começamos uma série de posts que tentam passar o nosso ponto de vista sobre o ritmo que começou como contestador, foi vendido e recomprado várias vezes, mas continua atual e polêmico.
Nestas matérias abordaremos diversos fatores que compõe a estética e mágica que o Rock proporciona, tentando não se prender a clichês e resumos que é recorrente quando se fala nesse assunto.
Portanto, aqui você não encontrará aquelas famosas linhas cronológicas sobre o surgimento do rock, pois se você não viu isso em lugar nenhum, não tem necessidade de ler esses textos.
Essa matéria foi composta com ajuda das entrevistas feitas com Clids, Roger, Tony Aiexe Wladmyr Cruz, a cor em que aparecem seus nomes é para identificar os trechos em que usei suas citações.
Vocês São tudo roqueiro,né?
Quando não acontece em casa, por influência dos pais, é entre amigos ou na escola que se toma conhecimento do que é o rock. Fui abençoado por receber informação de todos os lados, desde muito pequeno, em casa a influência dos meus pais, a geração Rock In Rio I, que viu Queen ao vivo em São Paulo no longínquo ano de 1981.
Ainda em família, meu primo que hoje, na faixa dos 30, representa a primeira geração MTV, aquela com fortes referências de música americana me apresentou algumas verdades únicas, por exemplo, Pantera e Dead Kennedys são indiscutíveis em fator de música boa.
Com os amigos de rua e escola descobri o punk e o HxCx, depois de ouvir Ramones pela primeira vez tinha certeza que nada mais seria igual. As portas do caos e destruição foram escancaradas e não tinha mais volta, a partir dali era eterno o gosto pelo famigerado rock’n’roll!
O rock não é apenas música, envolve moda, comportamento, transgressão, quebra de barreiras e tabus. É um movimento social tal qual musical.Vivo, respiro e trabalho com rock hoje em dia. Tudo que me cerca e acredito, vem, direta ou indiretamente, do rock.
Essas palavras de Wladmyr Cruz, editor do ZonaPunk, traduzem a essência do que esse ritmo representa.
Como você se veste, encara o mundo e seu circulo de amizades, geralmente se relaciona com seus gostos musicais.
Não fosse o rock eu não teria conhecido pessoas geniais e eu aposto que muitas pessoas sentem da mesma forma. Além da diversão pessoal, o rock une as pessoas em torno de um gosto similar. Quem aqui nunca soltou aquele sorriso quando encontrou alguém que gostasse da mesma banda e perguntou “Po, você também gosta de The Clash?” . O que eu quero dizer é que o motivo não precisa ser a mudança radical do mundo ou do universo, desde que o rock já consiga realizar o papel de provocar uma mudança pessoal em cada um de seus fãs, já tá mais do que valendo.
Esse sentimento de inclusão descrito por Tony Aiex, do site Tenho Mais Discos Que Amigos, retrata o quanto se pode evoluir por causa de um simples gosto comum. Como tudo na vida, usar as referências que estão ao seu redor são providenciais para tornar as relações com seus semelhantes mais produtivas.
Não dá pra fugir! Pra onde você vai, seja pra novela das 8 ou pra abertura do BBB (Paulo Ricardo já foi roqueirasso! Pena que pelo jeito ele se esqueceu disso…) você sempre vai ter que ouvir um ou outro acorde mais pegado, que por vezes não é rock de verdade, mas vai te lembrar alguma coisa e com certeza você vai, inconscientemente, ouvir aquele disco antigo daquela banda meio psicodélica dos anos 70 ou daquela banda maquiada e assustadora dos anos 80 ou de alguma das poucas bandas legais do gênero dos 90. Rock é isso. Acaba sendo parte do seu dia.
A forma como o rock interage em nosso cotidiano, é assim simples, como disse meu grande amigo Clids. Por isso que um estilo musical acaba sendo tratado como movimento sócio-cultural. Interfere de maneira majoritária na vida de muitas pessoas.
É uma ligação entre quem produz e expressa seu ponto de vista e pessoas que compartilham dessa opinião comum. Muito mais sincero que em outros segmentos, como religiões, por exemplo, pois não há nada que dite as diretrizes. Não existe um livro ou um sacerdote que tenha predito as regras do rock. É simplesmente um acordo inconsciente entre amigos.
Sem regras e complicações, sempre híbrido.
Tem que aceitar misturas, é assim que ele evolui musicalmente e nos apresenta novidades. Sem mesclas e experimentalismos, estaríamos ouvindo a mesma coisa até hoje. As notas musicais são escassas.
O rock pode ser do jeito que o roqueiro quiser. Fosse o rock apenas “tradicional”, que graça teria? Não teríamos punk, metal, hardcore, indie e todos os demais subgêneros que existem hoje. Sem contar os sub-sub-gêneros e assim vai. A graça do rock é justamente essa. Você tem o rock lá em cima da pirâmide, mas abaixo dele você tem uma infinidade de possibilidades, que fazem com que tudo seja diferente e mais divertido.
Libertário, com certeza, é o melhor predicado desse estilo musical. É o que torna tão agradável a forma de como o consumimos.
O rock é uma via de escape, o rock é uma noite de diversão sozinho em casa ouvindo aquele mastepiece que você não pula uma faixa, é uma tarde com os seus amigos conversando e ouvindo Iron… Como diria Gene e Paul no famoso hino: I wanna rock and roll all night and party every day! E é o que todos nós queremos certo? E viva o dia mundial do rock né não?
Conceitos, preconceitos, estereótipos e motivos para comemorar
Lembro da minha época de estudante de ginásio, lá pelos 12 ou 13 anos “decidi” que era punk. Moicano, roupas rasgadas e todo o “kit completo” que é comprado quando resolvemos entrar para um movimento, clube ou algo parecido.
Por inexperiência e por afirmação acabei aderindo a diversas formas de expressão, vestuário, cabelo, linguajar, para me sentir representado. E claro, para chocar também. Queria ser ouvido.
Com o tempo aprendi que é muito mais fácil ser ouvido e ter atenção pelo conteúdo que você desenvolve, do que pelo visual agressivo. Acho maravilhoso um visual bem montado, gosto muito da estética punk, mas pra mim não dava certo.
Ouvindo pessoas mais experientes, como o Roger, vocalista do Ultraje A Rigor, tenho a certeza que as coisas realmente funcionam diferente da venda que a mídia faz do estereotipo do roqueiro.
“Rock é rock, assim como, por exemplo, samba é samba. Com o tempo a publicidade (principalmente) inventou algumas coisas que me incomodam um pouco. Tipo quanto mais pesado, mais rock, “atitude”, blusas pretas, etc. É claro que um roqueiro é um cara que gosta de rock. Pode até gostar de outra coisa, mas gostar de rock é o que faz dele um roqueiro e viver como um roqueiro. Seu espírito e seu jeito de ser o fazem gostar de rock e não o contrário. Não há atitude que transforme um pagodeiro, por exemplo, num roqueiro.”
Seguindo essa linha, incluo palavras do Clids, meu contemporâneo, mesma idade e mesmos gostos, porém que somou erros semelhantes aos meus.
“Não diria que (ser roqueiro) é um estilo de vida, como muitos dizem. Até mesmo porque têm muitos “roqueiros” por aí que não representam nem a metade do que acham que representam. Ser roqueiro não é ouvir o Black Sabbath e usar preto quando cola no cemitério pra acender uma vela e cantarolar os riffs do Iommi com a boca. Ser roqueiro é, por mais clichê que isso soe ser você. Você se desprende de tudo, liga o seu som no mais alto que você pode, deita e viaja. Essa é a pegada de verdade. Isso de querer pagar disso ou daquilo, de rebites e couro, é apenas um “extra”. Isso não faz ninguém mais roqueiro que ninguém, pode acreditar. Eu vejo em filmes os “roqueiros” todos muito maquiados, com cabelo estranho, anti-sociais e muitas vezes agressivos. Algo que não me agrada. Acho ridículo e até mesmo preconceituoso. Você não precisa usar preto, assustar seus familiares nem curtir o demônio pra ser roqueiro.”
Claro que existe muito mais do que visual no mundo do rock, mas o que acaba marcando sempre é a polemica e a comercialização que fazem de detalhes ou ícones. Exemplo clássico era a proibição da movimentação pélvica de Elvis em programas de TV nos anos 50.
Os pais, as senhoras em defesa da moral e dos bons costumes se sentiam ultrajados com aquela dança erótica, para os padrões da época, sendo veiculado em rede nacional.
Mas pensando bem, a proibição acabou expondo cada vez mais o nome de Elvis, como sempre acontece quando um assunto é polemizado, tornando-o muito popular. E como bom marketeiro que era (ou ainda é, pra quem acredita que ele está vivo), continuou sacudindo a pelve e vendendo milhares de discos.
Ele demonstrou atitude, foi contra a formalidade e padrões conservadores e se expôs da maneira que achava coerente. Muitos conceitos acabam se difundindo após o conhecimento de que se passa num ambiente tão eclético e desafiador, como o mundo do rock.
Para muitos que passaram algum tempo na convivência desse mundo paralelo, como Tony Aiex, várias experiências trazem valores que agregam aprendizado em suas vidas.
“Vindo da cena punk rock, onde eu me sinto mais à vontade, aprendi que a política do faça-você-mesmo é extremamente interessante e até inevitável em alguns momentos. Não esperar que as coisas caiam do céu e correr atrás são lemas que eu aprendi desde os tempo em que tinha banda e que carrego comigo até hoje.”
Mas um dia exclusivo para o rock? O que torna um estilo de música tão relevante para ter seu próprio dia e ser comemorado?
Tanto Wladmyr Cruz, quanto Roger ressaltam que por trás de toda a exposição midiática, existe sim um bom motivo.
“O dia existe por conta do Live AID, ou seja, por uma boa causa. Não sei se comemorar é o certo, já que pra mim, todo dia é dia de rock.”
“Mal tenho motivos para comemorar meu aniversário…:-). Mas é bom que se lembre que o Dia Mundial do Rock foi criado para lembrar o evento beneficente do Live AID.”
Live AID foi um concerto de rock realizado em 13 de julho de 1985. O evento foi organizado por Bob Geldof e Midge Ure com o objetivo de arrecadar fundos em prol dos famintos da Etiópia. Realizado simultaneamente, nas cidades de Londres, Filadélfia, Sidney, Moscou e Tóquio, tendo transmissão via satélite para um público estimado de 1,5 bilhão de espectadores, arrecadando aproximadamente 285 bilhões de dólares.
E agora que existe o Dia Mundial do Rock como esse homenageado se desenvolve nos próximos anos? Quais serão as novas misturas e tendências nos próximos anos?
Muita gente se lembra da primeira música que ouviu como rock, os primeiros acordes e a sensação de que algo realmente diferente vem daquele som. É fácil reconhecer logo nas primeiras batidas e as vezes vem de lugares inesperados.
“Lembro que em 94 eu ganhei meus primeiros discos (sim, bolachão mesmo) e eles foram: Get a Grip do Aerosmith, Alive III do Kiss e o Appetite for Destruction do Guns n’ Roses. Um dos meus primos me deu porque tava fazendo uma limpa no quarto e tudo o mais. Lembro que eu queria mesmo era ganhar a guitarra dele, mas mesmo assim saí no lucro. Ganhei esses três álbuns extremamente fodidos, por mais farofa que eles possam ser. Aí depois ganhei um vinil dos Cavaleiros do Zodíaco e hoje eu percebo que lá também tinha rock. E muito. Alguma coisa desses guitarristas cabeludos e super virtuosos com o vocal do Edu Falaschi que bem me lembro.”
“Green Day – “Hitchin’ A Ride” de 1998. Eu tinha 12 para 13 anos na época, e estava começando a formar meu gosto musical. Lembro de ver o clipe dessa música na TV e ficar extasiado, principalmente com a parte mais rápida da música onde o cenário todo do clipe era destruído por Billie Joe e Cia. Depois desse dia o resto é história.”
Tudo o que foi feito até hoje serve de referencia, o rock sempre esteve em evolução e movimento. Nos dias de hoje, com a facilidade na produção de musicas através de elementos eletrônicos e esse estilo é essencialmente orgânico, fica difícil saber como será o seu desenvolvimento nos próximos anos.
Pelo que tenho ouvido, acredito que as novas bandas estão bastante preocupadas em trabalhar muito a imagem e velocidade na veiculação de suas músicas. Pois a demanda dos fãs pede isso.
“Há algum tempo eu descobri uma banda que a cada dia tem me surpreendido mais com características que os fazem realmente sensacionais.
A banda é o Bomb The Music Industry! E os caras são geniais. Além de gravarem tudo no apartamento de seu mentor, Jeff Rosenstock, com microfones próprios em seu laptop, os caras disponibilizam todos seus discos inteiros para download no site da gravadora, que é deles também. Se você curte o som, vai lá e doa uma quantia de dinheiro que quiser ou compra o disco em vinil.
Pra fechar o “pacote” as músicas dos caras são extremamente divertidas, e ao mesmo tempo as letras de todas elas são inteligentes e te fazem pensar.
Enfim, conseguir divertir, fazer pensar, tudo por conta própria, deixando o ouvinte julgar quanto o trabalho vale são características que sintetizam tudo o que o rock significa pra mim.”
Tenho visto em São Paulo há alguns anos, o crescimento impressionante no número bandas em sites como MySpace, Tramavirtual, etc. A qualidade não tem sido a principal característica da maioria das bandas. Suponho que isso aconteça por alguns motivos.
Aquela premissa de ter uma banda para conseguir se expressar parece ter ficado para trás. O importante hoje é apenas aparecer, o conteúdo está sendo deixado de lado. Não que toda musica precise ser politizada, mas que faça algum mínimo sentido.
Não se fazem bandas como antigamente ou existem coisas que não podem ser comparadas? Quais é a banda que sintetiza o rock?
“Mötley Crüe na época do ‘Girls, Girls, Girls’. Uma banda que dois integrantes tem sextape, um morre por 5 minutos e o outro tem uma doença rara e mesmo assim continuam até hoje com shows fodidos. Ninguém ali é normal e é essa a graça do rock”
“Guns N’ Roses na época do “Appettite For Destruction”. Na época, a banda mais perigosa do mundo. Som, drogas, putas e quebra-quebra.”
“The Rolling Stones.”
A banda que sintetiza o rock sempre será diferente, depende do gosto de quem responde, mas com certeza será aquela que fez o estilo renascer e se reinventar.
E viva o Rock irmão, viva o Rock. Sábias palavras de um grande amigo das ruas de São Paulo.
Agradecimento especial a todos que colaboraram para a produção dessa matéria. Clids, Roger, Tony Aiex, Victor Guerra e Wladmyr Cruz.