Friday, September 10, 2010

Outside Scissors – Jeito de Nerd #02

Postado por blocose7e Em maio - 17 - 2010 2 COMMENTS

Nerds X Geeks

Tem gente acreditando que geek é sinônimo de nerd, assim como rouge virou o mesmo que blush, máscara virou rímel e como o rosa pálido virou de repente cor nude – é bem fresco assim mesmo, fazendo biquinho pra falar!

Inclusive eu era uma delas, mas as diferenças existem – não significando que não sejam muito parecidos…pelo contrário.

O Wikipédia diz que:

Nerd: é um termo que descreve, de forma estereotipada, muitas vezes com conotação depreciativa, uma pessoa que exerce intensas atividades intelectuais, que são consideradas inadequadas para a sua idade, em detrimento de outras atividades mais populares. Por essa razão, um nerd é muitas vezes excluído de atividades físicas e considerado um solitário pelos seus pares, mas que nutre grande fascínio por conhecimento ou tecnologia.

Geek: é uma expressão idiomática da língua inglesa, uma gíria que define pessoas peculiares ou excêntricas obcecadas com tecnologia, eletrônica, jogos eletrônicos ou de tabuleiro e outros. E que buscam também o conhecimento.

Ou seja, os dois são kind of weird (Bazzinga! senso de humor aqui, gente, por favor!) e são intelectuais… Mas nerd é meio old school, o geek é nova geração e num consenso, o segundo é considerado uma evolução do primeiro. É tudo que o nerd é, mesmos interesses ou mais pluralizado, mas é descolado, finalmente tem vida social (mesmo que virtual), é como qualquer outro jovem comum de hoje em dia pra falar a verdade, mas são condições adquiridas, pois pra ser um verdadeiro nerd parece que você já tem que ter nascido assim! Talvez seja alguma predisposição genética, sei lá!

A fascinação entre ambos pela tecnologia resulta não só na confusão entre os nomes, mas também por eles estarem “na moda”.

Como falei no Jeito de Nerd #01 sobre como as idéias estão muito envolvidas com novas tecnologias não é de nos surpreender que esses grupos de pessoas fissuradas pelo mundo hi-tech não são mais excluídos como eram tempos atrás. Talvez ainda sejam os últimos a serem escolhidos pro time de futebol na escola, mas são eles os hypes de hoje em dia. Sou nerd, mas to na moda!

A Auslander no desfile de Out/Inv de 2009 para o Fashion Rio apostou no Geek Chic  ou Nerd Chic.

Os clássicos óculos grandes de acetato e armação grossa de um verdadeiro nerd viraram febre de uns tempos para cá e é o mais claro exemplo disso. As camisetas sempre fazem referência a algo que ele goste (do X-Man, por exemplo, né Sata?). Mix de estampas, sobreposições, cortes muito bem estruturados, referências das décadas de 1980 e 1990, sempre com algum elemento novo e mudérno e/ou aparência de postura correta, fazem parte.

Editorial da Nylon de 2007 – Geek para as meninas.

É só dar uma checada nos nerds de The Big Bang Theory pra entender mais:

Bazzinga!

Os termos podem se confundir na moda também, mas o geek vai muito mais além das referências citadas, eles ainda fazem da roupa um gadget.

Uma camiseta com rede wi-fi é só um exemplo. Nada mais apropriado!

http://www.thinkgeek.com/tshirts-apparel/interactive/991e/zoom/

Mas roupas servindo de gadgets eletrônicos rendem mais assunto e fica para o próximo post. Até o próximo Jeito de Nerd #03! o/’

Por Tiemi Higa

BlocoSe7e Staff

Outside Scissors – Jeito de Nerd #01

Postado por blocose7e Em abril - 30 - 2010 1 COMMENT

O futuro da moda (ou seria o presente?)

Em 1968, quando Stanley Kubrick escreveu junto com Arthur C. Clarke, 2001 – Odisséia no Espaço estava certo de que cerca de 40 anos mais tarde o mundo seria tecnológico. Num cenário não tão espacial e futurista, mas digamos que, o mundo seguiu nos caminhos que os escritores, os criadores dos Jetsons, até o autor de Frankstein, imaginavam. Alô, inteligência artificial!

Assim caminhou a humanidade… com ou sem passos de formiga, mas com vontade, chegamos num ponto que tudo tem que ser instantâneo, é tudo tecnológico e temos que construir mais coisas assim temos entre aspas, né? Eu deixo essas coisas para os mais espertos.

Não temos uma máquina que nos vista, carros flutuantes, um empregado robótico ou um computador com inteligência artificial que queira nos matar….. ainda! #medo

Mas parece que tudo mais que surge tem que ser revolucionário e avant garde! Tem que ser utilitário, ágil, funcional, que faça 3456567643435 coisas e que ainda te sirva um cafezinho.

Rosie *-*

A febre da tecnologia 3D nos últimos tempos foi resultado de editorias com o mesmo efeito da 3ª dimensão.

A revista Dazed & Confused apostou neste efeito já em Julho de 2009 com o editorial: Another Dimension.

Os primeiros filmes em 3D surgiram já na década de 1950, mas é hoje que essa tecnologia tem seus “momentos de glória” (Avatar, Alice no País das Maravilhas, Como Treinar o Seu Dragão, Bolt, Shrek 3, Toy Story 3 são todos filmes recentes) e está muito mais aperfeiçoada. E sem contar que os óculos não são mais de papel, né?

Nessa onda também a revista Marie Claire, do México, também fez um editorial com a modelo Isabeli Fontana.

Fotos de: http://wearemonsters.org

Por essas e mais outras curiosidades que eu inicio uma série de posts que relacionará a tecnologia x moda e como ambos se entrosam nas mais variadas maneiras!

Internet, utilidades e funcionalidades, tribos e mais o que eu achar interessante vou postar aqui pra vocês.

Então, até o próximo Jeito de Nerd! o/

Por Tiemi Higa

BlocoSe7e Staff

Linha de Tênis do Taking Back Sunday

Postado por blocose7e Em abril - 21 - 2010 ADD COMMENTS

A marca de tênis americana Macbeth, mais conhecida por sua linha de modelos vegan, prepara o lançamento dos tênis exclusivos da banda Taking Back Sunday.

São cinco modelos, um para cada integrante da banda, o que os executivos não contavam era a mudança de formação que a banda sofreu nos últimos tempos, ou seja, haverá modelos sem que haja o integrante.

De qualquer maneira, acredito que isso não irá alterar o potencial de venda dos produtos, além do que a coleção é prevista para o outono no hemisfério norte, ainda há tempo para mudanças.

Veja as fotos dos modelos:

Por Ikie Arjona

BlocoSe7e Staff

Outside Scissors #12

Postado por blocose7e Em abril - 16 - 2010 1 COMMENT

“Alice is the new black”

Quando Lewis Carroll, pseudônimo de Charles Lutwidge Dodgson, criou Alice no País das Maravilhas (e Alice Através do Espelho) nem imaginou que tantos anos depois as aventuras tornariam-se tema de roteiro cinematográfico e, muito mais além. A história da garotinha loira que corre atrás de um coelho de colete e relógio e acaba caindo no Mundo das Maravilhas foi criada a pedido de sua amiga, xará da personagem, que na vida real era também uma criança, mas morena de cabelo chanel, a Alice Liddell.

Liddell era uma criança que Charles tinha muita afeição e amizade. Aliás, essa amizade e com muitas outras crianças que o tímido matemático cultivava, juntando o fato de não ser casado, levantavam muitas suspeitas. Seria ele um pedófilo?

Porém, como nada foi provado, o fato é que essa viagem tresloucada a cada geração aparece renovada, mas sempre com a mesma essência e os mesmos personagens nonsenses.

Curiosidades à parte desde que foi anunciado que Tim Burton estava nas vias de fazer mais um filme baseado no livro, já no ano passado, o mundo têm se empolgado em fazer Alice e seus personagens em produtos, motivo de desejo de consumo. O filme ainda nem estreado aqui no Brasil e que, já teve a data de estréia alterada duas vezes, não se fala de outra coisa.

Eu sei que apesar do clichê todo acerca do nome Alice ultimamente e que muita gente já nem mais agüenta ouvir até eu que amo to ficando de saco cheio!, resolvi caçar tudo que já fizeram de roupas, acessórios que foram inspiradas na obra nonsense pra gente poder sair inspirada na loirinha e nos personagens. Mas diferentemente do figurino original em que Alice usa um vestido amarelinho, mas é no azul que a maioria a conhece, como a Disney a reproduziu em desenho animado, não é necessário sair a caráter pra fazer parte de Wonderland, não faltou labels que se dispusessem a nos fazer desejar Alice no País das Maravilhas (que aliás, fazendo um parênteses aqui, fora as criaturas antropormóficas, o aumenta e diminui do tamanho de Alice, a história nem é tão “sem noção” assim. A história, falas, os anagramas, charadas e muitas outras características são muito óbvias e lógicas que são utilizadas criativamente por Carroll).

Croqui original de John Tenniel

H.Stern – “O filme Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton, inspirou uma nova coleção de anéis, feita em parceria com a Disney. Roberto Stern, nosso chefe, reuniu os designers e passou o briefing: ‘quero algo surpreendente’.”

http://www.adorojoias.com.br/aneis-alice-surpreendentes/

Melissa – a marca como sempre lança algum sapatinho inspirado em algum personagem que ta pegando, como fizeram com o Pequeno Príncipe.

http://taisribeiro.files.wordpress.com/2010/02/melissa-alice.jpg

Alice por Sue Wong – a estilista como ponto de referência usa a história, mas sua coleção não é tão óbvia assim. A coleção faz mais uso de referências da época vitoriana (época em que a obra foi escrita).

www.suewong.com/alice/

Mambembe – o coletivo Mambembe criou bolsas, broches, camisetas e outras coisitas mais.

http://www.mambembe.com/loja/alice.html

Alice Disse – o nome já diz tudo! A loja existe já há um tempo e tem muitas coisas muuuito bacanas.

http://www.alicedisse.com/index.php

Les Ju Melles Boutique – colares vintages ♥.

http://www.lesjumellesboutique.bigcartel.com/product/alice-in-wonderland

http://www.lesjumellesboutique.bigcartel.com/product/alice-in-wonderland-inspired

http://www.lesjumellesboutique.bigcartel.com/product/alice-aux-pays-des-merveilles

Junia machado – Designer de jóias.

http://www.juniamachado.com.br/alice/alicePan010.php

Swarovski – mais acessórios. A loja fez peças lindas, claro, com swarovski!

http://www.swarovski.com/Web_US/en/1059741/product/Alice_-_Tea_Party_Donut_Pendant,_Online_Exclusive.html?origin=landing&lp_bt=Alice_in_Wonderland

Takashi Murakami & Louis Vuitton – vale muito a pena conferir o vídeo de Murakami para Louis Vuitton, inspiradíssimo em Alice.

http://www.youtube.com/watch?v=rIhnnQH_GdQ&feature=player_embedded

Esmaltes – até na tabela de cores tiveram o que tirar! Esmaltes Alice!

http://juliapetit.com.br/beleza/mini-6/

Ellus – camisetas estampadas com os personagens.

http://revistacriativa.globo.com/Revista/Criativa/foto/0,,37044127,00.jpg

Me dá tudo? ♥♥♥♥♥

A Disney ainda promoveu antes do lançamento do filme um Disney FAshion Tea Party! Confere:

Who will you wear to the tea party?

Por Tiemi Higa

BlocoSe7e Staff

Outside Scissors #11

Postado por blocose7e Em abril - 8 - 2010 ADD COMMENTS

Hoje a coluna Outside Scissors fala sobre grunge e para contextualizar o assunto e fazer a ligação entre música e moda, convidamos um cara que conhece bastante o tema.

Fique com as palavras de Wladimyr Cruz, editor do excelente ZonaPunk e depois a coluna de Tiemi Higa.

“Nos anos 1990, o grunge foi moda. Cabelos longos, camisas de flanela, coturnos, bermudas longas, roupas xadrez. O típico visual proletário de Seattle, misturado com um desleixo punk e agressividade metálica. A música também foi moda, e seu maior ícone também. Depois de seu suicídio, em Abril de 1994, Kurt Cobain vendeu, e ainda vende, muito. Seu rosto estampado numa camiseta é moda, é status, é tão influente e banal hoje em dia como uma estampa do Mickey ou do Che Guevara. Mas sabemos, ou ao menos deveríamos saber, que sua arte e música, são muito além de uma estampa.
Ele odiaria ter seu rosto estampado numa camiseta (será?), ou ao menos falaria à mídia que sim, só pra chocar, pra bagunçar, tocar o puteiro, como fez tanta vezes.
O grito primal, de rebeldia e anarquia, a quebra do estabilishment, a reviravolta no mercado alternativo, estes, só quem viveu – ou leu sobre – sabe. E esses preferem a camiseta “Corporate Magazines Still Sucks”, que Cobain usou pra foto da capa da Rolling Stone, do que uma com um herói morto.
Kurt está morto. A moda está viva. Foda-se Kurt, foda-se a moda. Brindemos à arte e contra os mitos. Musicais e fashionistas.” – Por Wladimyr Cruz.

Moda Grunge

Em 05/04/2010, completou 16 anos da morte de Kurt Cobain.

Como todos sabem (ou deviam saber, né?), Kurt Cobain era vocalista do Nirvana e junto com o Eddie Vedder, do Pearl Jam, receberam a alcunha de portas-vozes da Geração X.

Surgindo no noroeste dos EUA, como Seattle, Olympia e Portland, nos fins da década de 1980 e já despontando no começo da década de 1990, o grunge derivou-se de influências do hardcore e heavy metal, e dito por alguns também como uma ramificação do punk.

Mas como meu objetivo aqui não é pra falar sobre música, o qual nem me atreveria a fazer, deixei isso para o Wlad.

Tratando do assunto que me concerne, como todos os movimentos musicais que surgem, além das idéias, gostos, os modos de consumo também se assemelham entre seus apreciadores. Incluindo-se também, o modo de se vestir.

Longe da ostentação, os grungies tinham um jeito junkie de ser que iam afronta de toda a purpurina, maquiagem, vinil e couro dos movimentos antecessores (o glam rock e o punk). Era a “anarquia” da moda.

Sem muita produção, com um look meio desconstruído, calças largas e muitas vezes rasgadas, as camisas/camisetas de flanelas, principalmente no xadrez e proporções amplas são características básicas que demonstravam a apatia e o descontentamento social.

Como identificar o grunge:

No ápice em 1992, Marc Jacobs foi percussor levou a anti-moda à moda, trazendo o estilo das ruas às passarelas.

Clipe do Sonic Youth mostrando os bastidores do desfile de Marc Jacobs para Perry Ellis.

O Nirvana é  geralmente considerada como a banda que levou o gênero à consciência popular, quando Kurt, o cara mais citado quando se trata de grunge, morreu foi  para muitos o desfalecimento de todo o movimento.

Anos mais tarde, porém os anos 90 voltaram de cara nova, o neo-grunge , desfilado mais uma vez por Marc Jacobs em 2006. Em 2009, também estava de volta nos jeans detonados e boyfriend sizes, apesar de parecer so last season. Além dos jeans, o coturno, as roupas rasgadas, o xadrez, está muito bem cotado para reaparecer nesse inverno.

O mood que agora é outro. É o grunge produzido e montado mesmo.

Por Tiemi Higa

Edição e Revisão: Ikie Arjona

BlocoSe7e Staff

Outside Scissors #10

Postado por blocose7e Em março - 25 - 2010 1 COMMENT

Já é uma peça centenária encontrada no guarda-roupa de todas as mulheres. Os homens se esforçam para desvendá-la, e no universo feminino desde quando ganhamos a nossa primeira peça começamos a nos sentir mulheres crescidas!

O sutiã, essa simples peça já tão corriqueira já teve/tem muitas funções: proteger, esconder, separar, juntar, amassar, seduzir, sustentar o que a gravidade pode derrubar e não deixar nada balançar! Porém, o papel do sutiã já foi muito mais representativo do que apenas como o simples objeto utilitário.

Primeiro temos que agradecer que ele substituiu o espartilho e livrou-nos da dor que chegavam a desmaios que aquela espécie de armadura íntima proporcionava mas sutiã ainda pode incomodar bastante, né?. Serviu ainda como símbolo da contestação feminista à opressão na famosa queima de sutiãs na década de 1960 (a queima na verdade, teve não só o sutiã queimado, mas outras indumentárias que aludiam à mulher como o salto alto Alocas!eu não queimaria meus sapatos jamais!).

fonte: http://www.flickr.com/photos/100anos

Podemos dizer então que o sutiã fez parte dos momentos de luta de libertação à ditadura sofrida pelas mulheres e do anti-sexismo. Ora, num momento de prestígio, ora num momento que foi condenado e levado à fogueira, esta simples peça já teve seus dias. Mas ele ainda causa seus burburinhos.

Recentemente, além de diversos comentários por aí ele teve um espaço no programa Fantástico da Globo conduzido pela Glória Kalil (obs: de como não cometer o erro que direi mais à frente) e rendeu uma reportagem no site do canal supracitado. Na verdade, a questão não foi ele em si… mas ausência dele…

A ex-modelo/cantora Carla Bruni se vestiu assim num jantar oficial com o seu marido, o presidente da França, Nicolas Sarkozy. Num vestido justo e recatado e com seus sapatos Christian Louboutin (<3), sua elegância era inquestionável! Mas conseguimos ver os ditos “faróis acesos” marcados pelo vestido.

Sabemos que Carla Bruni, sendo ex-modelo e, portanto esteve constantemente envolta pela moda, sabe que há hoje em dia os sutiãs adesivos que dariam cabo ao que ela poderia ter escondido. Mas não o fez…

O motivo? Vai saber!

O fato é que muita gente quis comentar e solucionar a “gafe”. Mas será que foi gafe mesmo?

Quem é mais chegado à moda leva isso numa boa, a gafe teria sido se ela elegante do jeito que estava estivesse com um sutiã que marcasse. Aí sim, deslize fashion! Mas talvez, para os olhares já tão desacostumados quase revelar (quase porque ela não pagou de peitinho de fora), o que há tanto tempo foi coberto, é demasiado sensual e mais merecedor de se condenar do que muitas outras coisas que vemos por aí tão mais explícito.Dizer que a Carla Bruni tenha apelado à sensualidade acho um pouco irracional. Oi? Carla Bruni precisa mesmo apelar para ser sensual? Acho que não, hein…

Enfim, sutiã apesar de ser uma indumentária diária na vida da mulher não deixa de ser opcional, há necessidades ou não, mas deixar de usá-lo é como se sentir exposta e causa certo choque, olhares tortuosos de mulheres vão ser mirados em você e não é de se surpreender se alguns homens forem mais simpáticos. Somos levadas a acreditar por pudor, que é obrigatória.

Mas como Carla Bruni fez, quem não se sente mais à vontade em escolher, e melhor ainda se não houver comentários ardidos e preconceituosos? Por questões feministas, de estilo ou simplesmente por confortabilidade, sempre com bom senso, quem tá a fim de queimar o sutiã?

(Para quem quiser conhecer a história, clique aqui )

Por Tiemi Higa

BlocoSe7e Staff

Outside Scissors #09

Postado por blocose7e Em março - 4 - 2010 ADD COMMENTS

Na maioria dos países ocidentais, a figuração dos sexos na vestimenta era muito simples: mulheres de saia e homens de calça.

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Sim, era…

Era, pois hoje as mulheres podem andar de calça livremente. Sem constranger, sem criar conflitos, sem precisar pedir autorização às autoridades para o uso delas.

Além das calças, peças masculinas tornaram-se bastantes comuns para a vestimenta feminina: terninhos (tailleurs), suspensórios e mais recente a moda de boyfriend jeans, boyfriend shirts virou febre.

O “simbolismo” todo então, ficou para trás. As diferenças ficaram tênues e diretamente nas modelagens.

As mulheres dominaram (também!) o guarda-roupa masculino.

Mas, e os homens?

Homens usando saia? Não estou falando em civilizações antigas, da Escócia com seus tradicionais kilts ou de países orientais que comumente são aceitas – sarongs no sudeste asiático, pareôs na Polinésia ou ainda as djelabas na África –, mas em (nossa) cultura ocidental que nos traz estranheza e para alguns mais rígidos faz desconfiar da orientação sexual ao ver um traje tipicamente como sendo do sexo oposto em outro. Parece algo errado.

Em contrapartida a esses preconceituosos existem homens que querem e exigem que eles possam ter essa possibilidade diversa no guarda-roupa. Os franceses criaram uma associação que defende que os homens usem a saia em qualquer local de trabalho, escolas, festas, etc. (mas sempre saias masculinas!), a Hommes em Jupe.

Os homens que não tem medo do preconceito já podem ser vistos por aí de perninhas de fora. As saias masculinas (devidamente modeladas e cortadas) estão cada vez mais freqüentes nas passarelas (Yohji Yamamoto, Jean Paul Gaultier, Comme des Garçons, João Pimenta e, claro, Marc Jacobs que é o mais adepto dela na vida real, são um deles). Nas ruas, são pouco vistas, mas há quem use e sabe que causa certo burburinho, negativo e positivo.

O traje, claro, exige que o homem vestido tenha atitude o suficiente e saiba como vesti-la. Não é qualquer um que segura essa bronca.

Particularmente, eu vejo com muito bons olhos essa mistura de gêneros e um homem vestido com uma saia masculina demonstra algo a mais a respeito de si e, de maneira positiva. Além, do conforto que nós mulheres sabemos como é.

Incrementar uma peça desta no guarda-roupa é um respiro de alívio em um que sempre foi muito restrito e, convenhamos, sem graça.

Sem pressas essas mudanças para moda masculina finalmente também estão acontecendo. A skinny (calça mais agarrada, afunilada mais embaixo) veio quieta e muitos homens a abraçaram, ou melhor, a vestiram e a versão mais atual de calça agarrada é a legging que já esteve nas passarelas de Inverno da gringa e aqui no Brasil também.

O vestido já pôde ser visto também no desfile de Thom Browne no desfile da Primavera 2008, na Semana de Moda de Nova York. Mas aí acho que já é chocante demais… uma coisa de cada vez, né?

Alexandre Herchcovitch, Outono/Inverno 2010

Marc Jacobs

Thom Browne , Primavera 2008

E você? Acha que essa moda pega?

Por Tiemi Higa

BlocoSe7e Staff

Outside Scissors #08

Postado por blocose7e Em fevereiro - 25 - 2010 ADD COMMENTS

Alexander DramaQueen

11 de Fevereiro de 2010, in the Fashion Land, Londres.

Era um dia aparentemente comum para muita gente, mas o mundo da moda foi abalado por uma notícia trágica.

Um estilista britânico, quatro vezes eleito o estilista do ano, aparece morto em sua casa. Com muitas especulações acerca de sua morte, a conclusão oficial é que ele se enforcou no armário, após deixar uma carta de despedida.

Nesse dia parte da arte e beleza da moda também se perdeu.

Lee Alexander McQueen, 6º filho de um taxista e de origem humilde, largou a escola aos 16 anos e começou a trabalhar numa empresa de alfaiataria onde, provavelmente, pegou as manhas que ele muito bem dominava em alfaiataria e que era também uma característica forte de seu trabalho – corte e qualidades impecáveis que se via de longe!

Em 1994, tornou-se aluno da prestigiada escola de moda britânica Saint Martins e de lá a excêntrica editora de moda da Vogue, Isabella Blow, o conheceu e virou sua madrinha no mundo da moda. E, a partir daí, Alexander McQueen começou a ser reconhecido.

É com grande pesar que faço um post póstumo de Alexander, mas seria um absurdo meu não dizer nada sobre um dos meus estilistas preferidos; é uma pena agora ter que me referir a ele no passado.

A admiração que tenho por Mcqueen deve-se (no presente mesmo!) por tudo que ele representava. Ele era um artista, não só estilista, que sabia e mostrava que moda é muito mais que roupa. Assim como toda forma de expressão criativa pode ser vista como arte, McQueen transformava seus desfiles em espetáculos expressionistas. Ah, que espetáculos!

Mas seu trabalho não era limitado ao exuberante e excêntrico. Sucessor de John Galliano na Givenchy, em 1996, McQueen mostra que de fato nasceu com o talento. Seguiu em frente a uma casa conservadora e aristocrática como a Givenchy tão diferente do seu trabalho com a marca que leva seu nome, rebelde e dramática, onde a caveira era praticamente seu símbolo (assim como Alexandre Herchcovitch!) e apresentações melancólicas e obscuras.

Ele não fazia por menos. Mas à frente da marca Alexander McQueen é onde ele não tinha limitações e arte, tecnologia, performances e amizade* e tudo o que cabia misturavam-se em um grande show! E por este que eu mais admirava seu trabalho, era garantido um desfile que não ia ser apático e todos podiam esperar algo diferente a cada apresentação.

Alexander McQueen em seu desfile veste camiseta em apoio a sua amiga e modelo, Kate Moss, após ter sido flagrada cheirando cocaína. Tempos que a modelo perdeu muitos contratos e Lee a ajudou.

Pouca gente entende (ia) do que se tratavam suas roupas um tanto quanto “esquisitas” nem todas “usáveis”, mas ele alimentava o que a moda mais precisa para se manter viva: individualização, beleza, arte, o incomum… e conseguia tudo isso sem seguir tendências.

De fato era visionário, e além da exuberância das suas roupas, McQueen não fazia menos da beauty, dos efeitos nos desfiles, da música. Ele queria provocar mesmo e fazer sentir! E, obrigada por isso Lee Alexander McQueen. Obrigada, por me fazer entender que a moda é muito mais.

E de tão peculiar, é fato que até o momento em que este post foi redigido que o grupo Gucci que comprou a marca anunciou que o legado de Alexander McQueen continuaria, mas quem ficaria a frente? Quem conseguiria continuar e não apagar a singular imagem de McQueen? A excentricidade e dramaticidade que eram únicos. E, hoje com tão poucos criadores incomuns como ele era – só consigo imaginar Vivienne Westwood numa similaridade.

Aguardemos o desfecho, mas com certeza quem quer que “segure essa bronca” vai ter um trabalho e tanto para não apagar a boa imagem da marca – como foi feito com a Balmain que mudou radicalmente.

E eu espero que de fato isso não aconteça…

*Para quem não conhece, vale muito a pena ver a retrospectiva que está no site dele.

Feel the drama

Por Tiemi Higa

BlocoSe7e Staff

Outside Scissors #07

Postado por blocose7e Em fevereiro - 3 - 2010 ADD COMMENTS

“Minha beleza não é efêmera, como eu vejo em bancas por aí…”

No dinamismo dos padrões estéticos as aparências são efêmeras e, portanto, mudanças são freqüentes e movidas, principalmente, pela insatisfação pessoal que são alimentadas por influências externas que sofremos e aceitamos passivamente.

Os corsets eram inimigos da saúde das mulheres, mas eram considerados importantes pra estética da silhueta S na La Belle Époque (1900-1914). Como era prejudicial fomos libertas pelos vestidos leves de silhuetas soltas de Paul Poiret pouco depois; a pele extremamente branca muito bem vista na época da monarquia era suprida por boas doses diárias de maquiagem tanto em mulheres como homens; e, desde a década de 1960 os cuidados com o corpo foram acentuados e com o boom das academias nos anos de 1980 ser “cheinha” não era mais sinal de status e riqueza como foi e começou a ser sinal de desleixo, de ociosidade.

Esses padrões andando de mãos dadas com o comportamento da moda – que, por sua vez, nada mais é hoje que um reflexo do comportamento social – tem um número incontável, mas desde o aparecimento de top models e os cuidados com o corpo, a ícone de moda e top model Kate Moss é um bom exemplo do que hoje é considerado belo. Apesar da Twiggy, também ícone e top, já na década de 1960 ser exemplo da silhueta denominada waif – que significa menor abandonado, mendigo, tinha algo de venenoso e pejorativo nesse termo, segundo Vitor Angelo, blogueiro e jornalista, mas com o tempo, o estilo das meninas meio andróginas, sem curvas, levou também na moda o uso dele – que Kate Moss trouxe com seu sucesso.

A professora e antropóloga Miriam Goldenberg, do Departamento de Antropologia Cultural do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), afirma que este estereótipo de mulher impera-se devido ao prestígio, status e dinheiro que a carreira de modelos representa.

Entre essas inúmeras e bem sucedidas modelos loiras e magrelas – com todo o respeito –, revelando-se mais como modelos de beleza do que de passarela infelizmente, homens também sofrem certas pressões. Horas de academia para ficar com aquele “tanquinho” abdominal, altura e a aparência sempre muito bem “máscula” são também “exigidos”.

A indústria da moda, considerada a grande réu dessa “ditadura” é alvo de preocupações e alguns governos resolveram tomar medidas.

Na França em 2008, foi firmado um compromisso com os profissionais do mundo da moda e da publicidade, que prometeram em um documento “defender a diversidade do corpo humano e não estigmatizar as diferenças físicas”.

A “Carta contra a anorexia e a imagem do corpo” é um conjunto de intenções para difundir a aceitação da “diversidade corporal” e também divulgar informações a fim de combater os ideais de magreza excessiva.

Além da valorização da diversidade corporal medidas a favor da diversidade racial, que foge do tipo “europeu”, também foram providenciadas. aqui no Brasil quem acompanhou as últimas principais Fashion Weeks do país, a de São Paulo e a do Rio, pode notar que havia uma quantidade maior de negros na passarela, de cada marca.

A organização do SPFW assinou com o Ministério Público um Termo de Ajustamento de Conduta, em Maio de 2009, que se compromete “a sugerir às marcas que desfilam a contratação de pelo menos 10% do casting ser de negros, afrodescendentes ou indígenas”. Algo bem parecido como as cotas nas universidades brasileiras.

Sugerir aqui parece uma palavra mal colocada, visto que, se não houver uma justificativa pelo descumprimento há uma multa de R$ 250 mil.

É pra sugerir ou obrigar?

A polêmica medida foi muito mal criticada por estilistas e pela organização, pois além de ferir a liberdade de escolha profissional (da marca) e a indubitável capacidade dos modelos negros, afrodescendentes e indígenas, na minha opinião apenas incentiva a segregação. Por que ninguém cria uma cota para asiáticos também?

Mesmo que reforçados e valorizados ainda pela mídia de maneira espalhafatosa, esses arquétipos se tornam arquétipos se forem aceitos e, por isso não são imposições como dizem ser. A indústria da moda também são negócios e eles vendem o que está vendendo. Estou errada?

Dentro do cabível, creio que ninguém se entope de anfetamina pra entrar naquele vestido tubinho que pede um corpo magérrimo dentro dele porque foi coagido, ou te forçam a lembrar pra se sentir capacitado e incluso a cor da sua pele ser rosa, azul, amarela, preta ou vermelha, que seja, ou obrigam o homem a tomar anabolizantes pra ter aquela barriga de tanquinho o mais rápido possível e que adianta um tanque com uma torneira que não funciona?. E tudo isso cometido porque está nas capas de revistas e jornais e nas passarelas?

Se estiver sofrendo de algumas coisas mencionadas acima, por favor, não queira matar algum estilista ou um fotógrafo de moda. Procure primeiro um psicólogo e trate de ver se não sofre de algum complexo de inferioridade. A parcela de culpa não é total dos dirigentes.

Eu vejo a moda como amante da diversidade. E padronização é do que mais se foge. Mas se a moda não era assim anos atrás e de fato é a vilã disso tudo, hoje eu enxergo ela mais madura e acho que podemos respirar e comer mais aliviados. Nem tudo precisa ser tão mais perfeito, magérrimo, loiro e alto.

Beleza é efêmera.

A V Magazine tem adorado a diversidade corporal e fez uma edição com modelos de vários tamanhos.

A nova modelo badalada é loira e branquela, mas Georgia Jagger não tem dentes perfeitos.

Por Tiemi Higa

BlocoSe7e Staff

Outside Scissors #06

Postado por blocose7e Em janeiro - 21 - 2010 2 COMMENTS

No último post falei sobre o alto preço das roupas e como isso implicava em algumas coisas, como a identidade de moda brasileira.

A Carol do Quase Morto comentou dizendo que há uma estética pobre como identidade de moda no Brasil e eu estava respondendo, mas a resposta começou a ficar grande e muitas coisas começaram a me aparecer. São muitas questões, muitas análises e olhares. Tentei resumir e responder, mas acabou tendo que se transformar num post e pra administração do Bloco não ficar brava comigo já que estou uma semana atrasada!

Enfim, eu só copiei e colei o que estava escrevendo mais ou menos no espaço de comentários para uma página do Word preguiça mode on e complementei. Comecei, claro, me dirigindo a ela, mas “Carol” agora vai ser pra todo mundo que tá lendo a coluna!

“Oi, Carol!

Concordo na questão em que você diz haver uma unidade visual, porém essa unidade não é carregada de cultura de moda, néam? E, talvez, por isso essa impressão de ‘estética pobre’. É algo que dá muita discussão, são muitas respostas e muitos pontos de vistas, mas vou tentar mostrar um pouco do meu.

Pelas coisas que acompanho o brasileiro – e, não só da periferia – tem uma imagem muito negativa pelo que a moda representa. Uma imagem de futilidade e inutilidade e longe de ser representativa numa interpretação de organização social. A consideração só desses motivos já é suficientemente forte.

Pelo lado da periferia entendo que lá realmente não se tem muito acesso e talvez nem muito espaço à informação de moda. E entendo também que, moda aspirando desejos e consumos permaneça como algo secundário. Mas como a organização social rege e pra ninguém ser preso por atentado ao pudor, todos precisamos estar vestidos e cobertos de alguma maneira. Dizer que essa maneira é ‘pobre’ vai de cada um, mas na minha opinião é mais carência. Carência de informação e não só de moda, mas de arte, de educação, de cultura, de vida.

A moda é apenas complementar na vida. Ela faz parte de quem a gente é e do que a gente vive.

E isso é automaticamente traduzido para o que a gente veste, não?

E, mesmo sabendo que é minoria no Brasil que pode viver trabalhada no brilho e no glamour, como mencionei no post anterior sobre o acesso financeiro, acho eu que é errôneo dizer que assim seja o RG da moda brasileira (de pobre). Aliás, nem me atrevo a dizer que haja uma!

Apenas sei , do que nada sei,  que a identidade está atrelada a tudo que se passou, ao espaço, a cultura, às pessoas.. ao lifestyle. E que o Brasil é considerado um país de misturas de raças, portanto, de culturas. Nós fomos colonizados pelos europeus, tivemos escravos africanos e índios nas nossas terras.

Procurar definir elementos ou um todo para essa ou qualquer outra moda hoje, faz cada vez menos sentido. E adotar essa postura blasé, que a moda é intangível, só fere a nós mesmos (a nossa estética), afinal o Brasil está carregadíííssimo de (cultura de) moda! Está sempre ao nosso redor e está na gente, só não a apreciamos ou a valorizamos.“

E, deixo uma questão sobre identidade brasileira e de qualquer outro país, que o estilista Alexandre Herchcovitch colocou em questão numa entrevista com Alcino Leite, da Folha de São Paulo, quando questionado acerca da moda brasileira: “Você acha que o Saint Laurent, ao criar, pensava em fazer moda francesa? Duvido. E ninguém olha a roupa dele ou do Lacroix e diz: nossa, que moda francesa!”.

Não é? Disse tudo!

Por Tiemi Higa

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