“Minha beleza não é efêmera, como eu vejo em bancas por aí…”
No dinamismo dos padrões estéticos as aparências são efêmeras e, portanto, mudanças são freqüentes e movidas, principalmente, pela insatisfação pessoal que são alimentadas por influências externas que sofremos e aceitamos passivamente.
Os corsets eram inimigos da saúde das mulheres, mas eram considerados importantes pra estética da silhueta S na La Belle Époque (1900-1914). Como era prejudicial fomos libertas pelos vestidos leves de silhuetas soltas de Paul Poiret pouco depois; a pele extremamente branca muito bem vista na época da monarquia era suprida por boas doses diárias de maquiagem tanto em mulheres como homens; e, desde a década de 1960 os cuidados com o corpo foram acentuados e com o boom das academias nos anos de 1980 ser “cheinha” não era mais sinal de status e riqueza como foi e começou a ser sinal de desleixo, de ociosidade.
Esses padrões andando de mãos dadas com o comportamento da moda – que, por sua vez, nada mais é hoje que um reflexo do comportamento social – tem um número incontável, mas desde o aparecimento de top models e os cuidados com o corpo, a ícone de moda e top model Kate Moss é um bom exemplo do que hoje é considerado belo. Apesar da Twiggy, também ícone e top, já na década de 1960 ser exemplo da silhueta denominada waif – que significa menor abandonado, mendigo, tinha algo de venenoso e pejorativo nesse termo, segundo Vitor Angelo, blogueiro e jornalista, mas com o tempo, o estilo das meninas meio andróginas, sem curvas, levou também na moda o uso dele – que Kate Moss trouxe com seu sucesso.
A professora e antropóloga Miriam Goldenberg, do Departamento de Antropologia Cultural do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), afirma que este estereótipo de mulher impera-se devido ao prestígio, status e dinheiro que a carreira de modelos representa.
Entre essas inúmeras e bem sucedidas modelos loiras e magrelas – com todo o respeito –, revelando-se mais como modelos de beleza do que de passarela infelizmente, homens também sofrem certas pressões. Horas de academia para ficar com aquele “tanquinho” abdominal, altura e a aparência sempre muito bem “máscula” são também “exigidos”.
A indústria da moda, considerada a grande réu dessa “ditadura” é alvo de preocupações e alguns governos resolveram tomar medidas.
Na França em 2008, foi firmado um compromisso com os profissionais do mundo da moda e da publicidade, que prometeram em um documento “defender a diversidade do corpo humano e não estigmatizar as diferenças físicas”.
A “Carta contra a anorexia e a imagem do corpo” é um conjunto de intenções para difundir a aceitação da “diversidade corporal” e também divulgar informações a fim de combater os ideais de magreza excessiva.
Além da valorização da diversidade corporal medidas a favor da diversidade racial, que foge do tipo “europeu”, também foram providenciadas. aqui no Brasil quem acompanhou as últimas principais Fashion Weeks do país, a de São Paulo e a do Rio, pode notar que havia uma quantidade maior de negros na passarela, de cada marca.
A organização do SPFW assinou com o Ministério Público um Termo de Ajustamento de Conduta, em Maio de 2009, que se compromete “a sugerir às marcas que desfilam a contratação de pelo menos 10% do casting ser de negros, afrodescendentes ou indígenas”. Algo bem parecido como as cotas nas universidades brasileiras.
Sugerir aqui parece uma palavra mal colocada, visto que, se não houver uma justificativa pelo descumprimento há uma multa de R$ 250 mil.
É pra sugerir ou obrigar?
A polêmica medida foi muito mal criticada por estilistas e pela organização, pois além de ferir a liberdade de escolha profissional (da marca) e a indubitável capacidade dos modelos negros, afrodescendentes e indígenas, na minha opinião apenas incentiva a segregação. Por que ninguém cria uma cota para asiáticos também?
Mesmo que reforçados e valorizados ainda pela mídia de maneira espalhafatosa, esses arquétipos se tornam arquétipos se forem aceitos e, por isso não são imposições como dizem ser. A indústria da moda também são negócios e eles vendem o que está vendendo. Estou errada?
Dentro do cabível, creio que ninguém se entope de anfetamina pra entrar naquele vestido tubinho que pede um corpo magérrimo dentro dele porque foi coagido, ou te forçam a lembrar pra se sentir capacitado e incluso a cor da sua pele ser rosa, azul, amarela, preta ou vermelha, que seja, ou obrigam o homem a tomar anabolizantes pra ter aquela barriga de tanquinho o mais rápido possível e que adianta um tanque com uma torneira que não funciona?. E tudo isso cometido porque está nas capas de revistas e jornais e nas passarelas?
Se estiver sofrendo de algumas coisas mencionadas acima, por favor, não queira matar algum estilista ou um fotógrafo de moda. Procure primeiro um psicólogo e trate de ver se não sofre de algum complexo de inferioridade. A parcela de culpa não é total dos dirigentes.
Eu vejo a moda como amante da diversidade. E padronização é do que mais se foge. Mas se a moda não era assim anos atrás e de fato é a vilã disso tudo, hoje eu enxergo ela mais madura e acho que podemos respirar e comer mais aliviados. Nem tudo precisa ser tão mais perfeito, magérrimo, loiro e alto.
Beleza é efêmera.
A V Magazine tem adorado a diversidade corporal e fez uma edição com modelos de vários tamanhos.

A nova modelo badalada é loira e branquela, mas Georgia Jagger não tem dentes perfeitos.
Por Tiemi Higa
BlocoSe7e Staff
















