O que esperar de um festival com bandas muito pesadas, num fim de semana chuvoso, numa era de escrotidão colorida, totalmente independente em um mercado de bandas ruins querendo ser o grande sucesso das menininhas da Malhação, literalmente no Inferno (baixa Augusta)?
Confesso que minhas expectativas, até pelo afastamento de gigs nos últimos anos, era de ver a galera Old School de Verdurada e quase nada de molecada mais nova, ainda fresca de roles. Que grande surpresa ao ver que além do pessoal das antigas, tinha sim muita gente mais nova, a geração renovada e como sempre muitas meninas, representando demais nos circle pits. Reforçando a idéia de respeito que sempre existiu e continua vigorando na cena.
Me senti deslocado ao já pegar uma ou duas cervejas pra acompanhar os shows no primeiro dia, cercado de grupos de straight edges, mas com o passar do tempo vi mais alguns segurando latas e garrafas numa boa, sem repreensão e sem causar também.
Seguindo o meu ritual, procurei um local mais tranquilo pra conseguir anotar algumas impressões do que estaria por vir. E logo de cara fiquei feliz por ter conseguido chegar cedo, apesar da chuva que enfrentei pelo caminho, a única banda que não conhecia estava na primeira música, e deu pra curtir bem o curto, mas muito bem executado show do End Hits. Fazia tempo que não ouvia um vocal feminino tão marcante e potente, resguardado por um instrumental muito bem arranjado, mostrou que suas músicas funcionam demais ao vivo.
A galera ainda chegando e esquentado, foi a vez do Ralf Macchio subir ao palco e mandar um hardcore potente e vocal muito forte, aí começaram a se ensaiar os primeiros circle pits, que foram consolidados com as porradas seguidas que o Corleone mandou do início ao fim de seu show. E esse foi só o primeiro show do ano da banda de São Caetano, que certamente vai destruir tudo esse ano.
Depois de uma viagem de Curitiba à São Paulo, fritando debaixo do sol, era provável que os integrantes do Your Fall estivessem cansados e fizessem um show feijão com arroz, ledo engano. Mesmo com problemas em uma das guitarras, os curitibanos quase põe o Inferno abaixo e muita gente grudada no palco cantando junto.
O Bandanos que era maior banda da noite fez um show proporcional às expectativas depositadas. Até pela experiência que os caras tem, dominam fácil o público e parecem saber a hora certa de mandar uma música ou outra. Colocando fogo nos pits frenéticos, principalmente no cover da banda americana Corrosion of Conformity.
O Clearview mostrou o motivo de tantos elogios, inclusive os que vieram das bandas que os precederam, realmente se não a melhor banda de hardocre que surgiu na última década, está bem perto disso. O show sempre energético e coerente, mostra que o comprometimento e a paixão são os pilares da cena e a qualidade das bandas reflete isso.
Fico devendo fotos, pois as que tirei estão péssimas. O que me lembra de deixar aqui um convite a quem curte tirar fotos e quer divulgar o seu trampo, mande um email pra gente, pois estamos necessitados de bons fotógrafos.
O maior destaque fica para a organização e pontualidade do evento, tudo correndo certo e todos satisfeitos. O que tirei de conclusão do primeiro dia é que os objetivos foram alcançados, principalmente o resgate e afirmação do (verdadeiro) espírito independente.
Agradeço especialmente ao Shamil por lembrar da BlocoSe7e e abrir as portas do Inferno para nossa cobertura humilde, porém sincera.
Por Ikie Arjona
BlocoSe7e Staff














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Massa a resenha!!! Continuem…