†Alexander DramaQueen†
11 de Fevereiro de 2010, in the Fashion Land, Londres.
Era um dia aparentemente comum para muita gente, mas o mundo da moda foi abalado por uma notícia trágica.
Um estilista britânico, quatro vezes eleito o estilista do ano, aparece morto em sua casa. Com muitas especulações acerca de sua morte, a conclusão oficial é que ele se enforcou no armário, após deixar uma carta de despedida.
Nesse dia parte da arte e beleza da moda também se perdeu.
Lee Alexander McQueen, 6º filho de um taxista e de origem humilde, largou a escola aos 16 anos e começou a trabalhar numa empresa de alfaiataria onde, provavelmente, pegou as manhas que ele muito bem dominava em alfaiataria e que era também uma característica forte de seu trabalho – corte e qualidades impecáveis que se via de longe!
Em 1994, tornou-se aluno da prestigiada escola de moda britânica Saint Martins e de lá a excêntrica editora de moda da Vogue, Isabella Blow, o conheceu e virou sua madrinha no mundo da moda. E, a partir daí, Alexander McQueen começou a ser reconhecido.
É com grande pesar que faço um post póstumo de Alexander, mas seria um absurdo meu não dizer nada sobre um dos meus estilistas preferidos; é uma pena agora ter que me referir a ele no passado.
A admiração que tenho por Mcqueen deve-se (no presente mesmo!) por tudo que ele representava. Ele era um artista, não só estilista, que sabia e mostrava que moda é muito mais que roupa. Assim como toda forma de expressão criativa pode ser vista como arte, McQueen transformava seus desfiles em espetáculos expressionistas. Ah, que espetáculos!
Mas seu trabalho não era limitado ao exuberante e excêntrico. Sucessor de John Galliano na Givenchy, em 1996, McQueen mostra que de fato nasceu com o talento. Seguiu em frente a uma casa conservadora e aristocrática como a Givenchy tão diferente do seu trabalho com a marca que leva seu nome, rebelde e dramática, onde a caveira era praticamente seu símbolo (assim como Alexandre Herchcovitch!) e apresentações melancólicas e obscuras.


Ele não fazia por menos. Mas à frente da marca Alexander McQueen é onde ele não tinha limitações e arte, tecnologia, performances e amizade* e tudo o que cabia misturavam-se em um grande show! E por este que eu mais admirava seu trabalho, era garantido um desfile que não ia ser apático e todos podiam esperar algo diferente a cada apresentação.

Alexander McQueen em seu desfile veste camiseta em apoio a sua amiga e modelo, Kate Moss, após ter sido flagrada cheirando cocaína. Tempos que a modelo perdeu muitos contratos e Lee a ajudou.
Pouca gente entende (ia) do que se tratavam suas roupas um tanto quanto “esquisitas” nem todas “usáveis”, mas ele alimentava o que a moda mais precisa para se manter viva: individualização, beleza, arte, o incomum… e conseguia tudo isso sem seguir tendências.
De fato era visionário, e além da exuberância das suas roupas, McQueen não fazia menos da beauty, dos efeitos nos desfiles, da música. Ele queria provocar mesmo e fazer sentir! E, obrigada por isso Lee Alexander McQueen. Obrigada, por me fazer entender que a moda é muito mais.
E de tão peculiar, é fato que até o momento em que este post foi redigido que o grupo Gucci que comprou a marca anunciou que o legado de Alexander McQueen continuaria, mas quem ficaria a frente? Quem conseguiria continuar e não apagar a singular imagem de McQueen? A excentricidade e dramaticidade que eram únicos. E, hoje com tão poucos criadores incomuns como ele era – só consigo imaginar Vivienne Westwood numa similaridade.
Aguardemos o desfecho, mas com certeza quem quer que “segure essa bronca” vai ter um trabalho e tanto para não apagar a boa imagem da marca – como foi feito com a Balmain que mudou radicalmente.
E eu espero que de fato isso não aconteça…
*Para quem não conhece, vale muito a pena ver a retrospectiva que está no site dele.
Por Tiemi Higa
BlocoSe7e Staff













