Friday, September 10, 2010

Outside Scissors #03

Postado por blocose7e Em novembro - 28 - 2009 1 COMMENT

Muda o orador, mas o discurso é o mesmo.

A internet tem tido papel importante para que a moda se comunique. E os blogs tem sido a ferramenta mais utilizada, por  sua comunicação ser muito mais prática, despretensiosa, mais acessível e de alcance  mais amplo. Certamente por isso têm obtido uma popularidade inquestionável, sendo considerados tão importantes, senão mais, que as mídias especializadas.

Não é à toa que  grandes marcas (bastante espertas) como Alexandre Mcqueen, Burberry investiram na transmissão de seus desfiles ao vivo e on-line. E donos de it-blogs de moda são convidados a se sentarem na 1ª fila (Jak & Jil, Brian Boy, Scott Schumman são apenas alguns deles) com direito a laptops e conexão wi-fi nas semanas de moda (informação do blog  About Fashion) . Aqui no Brasil ainda não se vê essa abertura para blogueiros, mas não demora muito.

Em contrapartida ao sucesso dos blogs de moda, com uma leitura que não precisa nem ser tão atenta, encontramos informações um tanto quanto padronizadas – mas convenhamos que é um comportamento da mídia em geral. O que vestir, como vestir, o que as celebs estão usando, o must-have da semana, o que a Lady Gaga usou/fez/falou/cantou/ganhou..excesso das mesmas efemeridades ; e por efêmero não digo que seja superficial, mas por fim tornam-se triviais.

Informação de moda, falar sobre, pode ir muito mais além! Alô? Okay, okay… com certeza, alguém tem que dar cobertuta ao what’s happening e parabéns gente pelo sucesso! Clap clap. Mas faz falta alguma crítica de moda que nos faça discutir né, Lars Svendsen? Ir além da superfície e trazer mais conhecimento, dar cabo ao leitor o próprio julgamento. Porque querendo ou não nós somos influenciados pelo que lemos! Efeito de passividade e massificação… argh! Todo mundo bate palmas para tudo da moda? E falando lá pro pessoal que cria, críticas te fazem evoluir, né?

Todo mundo igual…

E a moda não é totalmente o oposto? Ela é paradoxal, controversa e não há muita lógica haver uma fala tão uniforme. Muda orador, mas não muda o discurso.

Meu muso inspirador de hoje, Lars Svendsen, disse no Pense Moda 2009 e eu super adorei: “(…) nunca é bom sinal quando todos concordam…”.

Lars Svendsen, filósofo, acha que “O problema é que os jornalistas de moda estão acostumados a achar tudo lindo e perfeito, são cheerleaders das coleções.”

Nota: eu AMO esses blogs que contam novidades. Vejo-os todos os dias! Mas as novidades nem tão sendo mais novidades, né gente?

Por Tiemi Higa

Revisão e Edição: Ikie Arjona

BlocoSe7e Staff

Cars and Calories #03

Postado por blocose7e Em novembro - 27 - 2009 3 COMMENTS

Motivação semanal para Felipe Sata: Ação de Graças (ou thanksgiving)

O nome é muito bonito, “Ação de Graças”, e já deixa bem claro do que se trata: agradecimento. Mas, a pergunta que não quer calar é…, agradecer o quê?

Agradecer a tudo de bom que a vida te oferece. Agradecer ao amor daqueles que estão próximos a vocês e tudo mais. É comum, inclusive, trocar presentes.

Mas é interessante sabermos de onde tudo isso veio.

Tudo começou em 1621 quando os peregrinos comemoraram a primeira colheita na colônia de Plymouth. Peregrinos, esses que eram “recém-chegados” da Inglaterra. Juntando as coisas, eles estavam agradecendo a Deus pela colheita, e por tudo de bom que essa colheita representava a eles.

Sendo assim, temos o Thanksgiving como uma das celebrações mais tradicionais do povo norte-americano.

Tal celebração consiste, basicamente, em comer peru, oxicoco e coisas a mais, que eram tradicionais na época da chegada dos peregrinos (bem calórico mesmo!).

Exemplo disso é o episódio de Friends no qual Joey tem de comer um peru inteiro por causa de uma aposta feita com Monica.

E, claro, assistir as famosas paradas que as cidades realizam, a famosa Macy’s Day Parade.

A tradição é tamanha à de assistir a um jogo de futebol americano com o Detroit Lions. Aliás, eles continuam fazendo jogos durante o Dia de Ação de Graças.

[Nota do Editor Intrometido: O Detroit Lions é um dos times mais tradicionais da NFL, com fundação em 1929. Apesar de tamanha tradição a equipe nunca chegou a um Super Bowl, que é o maior evento esportivo dos EUA, talvez do mundo. Jogos durante o Dia de Ação de Graças é tradicional, principalmente no College Football, onde ocorre a rodada completa na liga organizada pela NCAA.]


Repare que as ações comercias feitas envolvendo Football e Thanksgiving são muito bem elaboradas, pois juntar duas tradições em um mesmo evento é certeza de lucro. E a mior tradiçao desse povo é sempre fazer de tudo para ser bem sucedido.

Em suma, feriadinho para juntar a família e os amigos e comemorar como se nada de errado estivesse acontecendo. Celebremos às coisas boas da vida!

[Adendo do Editor Intrometido: O que os norte-americanos mais gostam na semana do thanksgiving, provavelmente seja a Black Friday. Nessa data as lojas baixam os preços desesperadamente por algumas horas e os consumidores começam a formar filas na madrugada anterior. Cenas de loucura e desespero são comuns nesse dia.]


Por Felipe Sata

Edição e Revisão: Ikie Arjona

BlocoSe7e Staff

ADVERTÊNCIA: Esse BlocoCast foi gravado em condições extremas, portanto não garantimos a qualidade de áudio ideal. Você irá ouvir conversas paralelas, a trilha sonora em alguns momentos teve seu volume aumentado para tentar abafar o barulho alheio.

Neste episódio estão reunidos os primeiros habitantes do lendário BlocoSe7e. Felipe Sata, André Tomazzo, Douglas e Renan_RF que juntamente com Ikie Arjona tentam disseminar o trabalho da maior banda de HxCx da Suécia, o Millencolin.

No meio de muito barulho, confusão e cervejas contam como conheceram e como essa grande banda influenciou suas vidas e suas escolhas.

Um agradecimento especial a todos os presentes que contribuíram com muito silêncio e respeito ao trabalho que estávamos fazendo. Abraço e beijo para nossas maravilhosas e comportadas esposas!

Tente ouvir, pois apesar de todos os problemas fizemos de coração!

Obs.: Releve o barulho externo e concentre-se nas vozes da apresentação. No próximo programa, Renato Doce volta para alegria de todos os seus fãs.

Não recomendado a pessoas sem senso de humor e capacidade de entender dificuldades técnicas!

Email: blocosete@blocosete.com.br

Por Ikie Arjona

BlocoSe7e Staff


Cars and Calories #02

Postado por blocose7e Em novembro - 20 - 2009 2 COMMENTS

Baby you CAN’T drive my car!

Como a devida introdução já foi dada no post #1 da Cars and Calories, agora a coisa ficou mais fácil…

Porém, creio que o nome não ficou devidamente justificado. Para aqueles que me conhecem talvez seja mais simples (todos sabem que sou um amante de carros – especialmente os antigos), porém, nem todos sabem/sabiam.

Por isso, sem deixar de lado o tema principal dessa coluna, vou falar um pouquinho sobre essa paixão.

Quando falamos de carro alguns nomes podem pintar em sua mente… Volkswagen, Fiat, Ford, Chevrolet, ou seja, as montadoras mais famosas aqui. Tratando de antigos, podemos destacar o Fusca, o Passat (amor de minha vida, rs), o Maverick, o Opala, a Caravan e por aí vai, como modelos “eternos”. Até aí só citamos os nacionais…, se formos falar dos gringos, a coisa fica feia (ou melhor, linda!). Temos os Cadillac, Pontiac, Oldsmobile, Chevrolet… Pergunta: O que essas últimas marcas citadas têm em comum?

Todas foram compradas pela GM, fazendo com que em questão de 20 e poucos anos a GM se tratasse de um “império” de 30 marcas (é aqui que o amor pelos carros se une ao tema da coluna). Vale deixar claro que não estamos falando de tempos tão atuais, isso aí foi em meados da década de 20.

Ou seja, a GM era tipo um foguete bem sucedido da NASA, a parada era bem Buzz Lightyear: “Para o alto e avante”. Foi aí que tiveram a idéia de expandir os negócios para a Europa, porém, quando o bicho pegou entre os EUA e a Alemanha, a GM parou a produção de carros em muitas de suas fábricas para passar a produzir material bélico. Bom, com a já conhecida fama de “voltados para a guerra” que a nação norte americana passa, não seria muito difícil deles chegarem à seguinte conclusão:

Pois é, o “bater do coração” da América. Forte isso, não? Isso aí rolou lá pela década de 40. Após a guerra, a GM voltou a fabricar carros muito diferentes do que rolava antes… uma coisa levou a outra e então chegamos a um símbolo deles… os famosos American Muscles (músculos americanos)

Dessa época saíram clássicos como Camaro, Oldsmobile 442, Chevy Nova, Monte Carlo e por aí vai. Quer um exemplo de paixão por essa linha de carros?

Vamos às citações de filmes: Velozes e Furiosos (todos),  A morte pede carona, Gran Torino, 60 segundos, etc.

Voltando para a GM, agora fica fácil entender a enorme injeção de grana que rolou quando a crise estourou. Perder a GM seria mostrar que grande parte da ideologia norte-americana estava falindo e isso causaria enormes danos à moral da nação de casas sem cercas…

Por Felipe Sata

Revisão e Edição: Ikie Arjona

BlocoSe7e Staff

Born AND Raised To Do Great Music

Postado por blocose7e Em novembro - 19 - 2009 2 COMMENTS

The Only Band Ever

Saiu Born and Raised, segundo clipe do CD Old Crowns/Young Cardinals dos canadenses do Alexisonfire.
Excelente vídeo para uma estupenda música. Alexisonfire é uma banda em constante evolução, desde 2001 fazendo um cd diferente do outro e mantendo a mesma pegada.

Para quem gosta de música bem feita e barulhenta, confira mais no myspace dos caras.


Por Ikie Arjona

BlocoSe7e Staff

Outside Scissors #02

Postado por blocose7e Em novembro - 19 - 2009 3 COMMENTS

Me diga o que vestes que te direi o que ouves

Imagine: um cara de moicano, calças rasgadas, coturno, muitas tachas. Agora um outro com cabelo bem ajeitadinho arrepiado com muito gel e luzes loiras, um piercing que às vezes convém na sobrancelha, camisa social, jeans e sapatênis. Um adolescente com lápis preto nos olhos e uma franja lambidinha de um lado, com roupas pretas com um acréscimo de cores fortes no look, um sneaker super colorido.

Clichês, né? Tenho certeza que já viu essas pessoas por aí. E, certamente, sabe me dizer qual o som que eles ouvem.

Essa relação de moda e música não é novidade. Primeiro porque sabemos que desde que o mundo é mundo, as pessoas têm essa mania de estar em coletivo e de pensar em sociedade. Não importa se isso é na religião, nas ideologias, na moda, na música, blábláblá… a tendência é aparecer pessoas que se sociabilizem a grupos que “atendam” seus anseios e apreciem os mesmos modismos.

Segundo, porque música e moda representam comportamentos, interesses e ambos são uma linguagem de comunicação.

Terceiro – mas não último –, porque estamos numa sociedade claramente vivida de aparências e na qual todos são socialmente dependentes e, identificar-se com um indivíduo ou distinguir-se de outrem é necessidade para se considerar aceito.

Tais códigos de conduta revelam-se de forma clara na utilização do vestuário dentre os quais, geralmente (se não em todos os casos, falando-se de música) são lançados por gente que está lá em cima do palco com os instrumentos em mãos e continuados pela legião de fãs. E assim, surgem (os estereótipos) as identificações de tipo de música pelo vestuário a qual essas pessoas buscam imitar.

Uma explicação sociológica:

Segundo Georg Simmel (sociólogo alemão, 1858–1918) podemos dizer então, que se revela a essência da moda, “em que somente uma fração do grupo a prática, e o resto do grupo apenas procura se juntar a ela”. E, ainda por René König, em Sociologie de la Mode que, insiste “na possibilidade de que um grupo tenha, qualquer que ele seja, de se distinguir de outro pelo vestuário; na concorrência e na rivalidade que se expressam em termos de roupas (…)”.

São formadas então as tribos urbanas que todos já conhecem. Moda e música constituem-nas, e são facilmente reconhecidas:

Punk


Hippie

Rockers

New Wave

Grunge

Cada qual com suas idéias, comportamentos, hábitos, músicas e roupas. As tribos urbanas são vááááárias, umas mais conhecidas e outras ainda nem tão conhecidas.

O surgimento e a diversificação desses coletivos não param, mas em contrapartida seguir rótulos e estereótipos hoje já não é “natural”!

Como disse Marc Jacobs (ele dispensa apresentações, néam?!) no WWD Summit: “(…) Acho que tudo hoje em dia é global. Não gosto muito de palavras como ‘global’… (…) O que é Americano? Não sei. Eu viajo, a maioria das pessoas que conheço viajam. As pessoas que conheço que amam moda amam também música, amam arte, teatro, amam a arte de viver. E coisas desse tipo que não são uma necessidade, são maravilhosas. E a moda ser uma dessas coisas, eu acho, de novo, que é apenas humano. Eu sempre uso esse exemplo: Não sei se existem mais lojas de discos, mas da última vez que fui comprar um CD, 100 anos atrás, tinham essas categorias, como ‘rock n’ roll’. E eu pensei ‘Quando foi a última vez que alguém usou esse termo?’ Ou ‘alternativo’ Qualquer coisa não é uma alternativa para outra coisa? Então esses rótulos ou categorias para mim são muito ultrapassados.”

Por Tiemi Higa

Edição e Revisão: Ikie Arjona

BlocoSe7e Staff

Queime Depois de Ler – A Biografia do Mestre

Postado por blocose7e Em novembro - 16 - 2009 2 COMMENTS

A Última Corrida

Adoro surpresas, principalmente quando são livros que chegam a mim quando menos espero. Alguns dias atrás estava tomando aquela cerveja sagrada,em uma  tarde quente, no Sebo da Praia, e a taberneira ao trazer o refil da perdição, apresenta um livro que estava procurando há tempos, mas por preguiça acabei deixando de lado a busca.

A sorte premia os clientes regulares. Por saber que, apesar dos clichês, Bukowski é meu autor favorito, fui prontamente informado que “Charles Bukowski, Vida e Loucuras de um Velho Safado” estava disponível.

Nem pensei e adquiri essa bela biografia, talvez a mais completa e melhor escrita sobre a vida e obra do velho Buk.

O inglês Howard Sounes não economizou em sua pesquisa e pela qualidade do material, teve a coerente idéia de construir uma narrativa aproveitando a vida espetacular de Bukowski. Ao utilizar como fonte cartas de amigos, documentos familiares, histórico profissional e entrevistas filmadas e impressas do autor, conseguiu trazer veracidade à sua historia.

A seção de notas extensa e muito bem organizada, objetivamente sana qualquer dúvida referente aos trechos mais controversos da narrativa. Ao invés de misturar Henry Chinaski a Charles Bukowski, Sounes desmitifica várias facetas do velho, tornando seus contos e romances mais verossímeis, sem julgar o estilo de vida que este levava. Provavelmente, essa seja a maior qualidade do livro.

Por ser polêmico e em algumas vezes exagerado, é interessante ler a biografia e reler toda a obra de Bukowski para identificar e conseguir se situar nos fatos de sua vida, e claro, saber onde o velho quis tornar sua vida um pouco mais interessante, se é que havia essa necessidade.

O grande bônus dessa obra é a quantidade de fotos que esta apresenta. Um rico catálogo com imagens que vão desde os tempos de seus avós maternos em Andernach, passando por sua infância, adolescência, vida adulta até chegar ao seu túmulo.

Além dessa linha do tempo, é possível ver os lugares que Bukowski frequentava, as pessoas com que convivia, mulheres que passaram em sua vida e várias memórias do velho safado trabalhando.

Perfeito para quem não conhece, indispensável para quem sabe o que esse velho faz quando entra na sua vida.

Levante alto seu copo. Um brinde a todos os fracassados.

Por Ikie Arjona

BlocoSe7e Staff

Cars and Calories #01

Postado por blocose7e Em novembro - 13 - 2009 5 COMMENTS

Bem vindo ao clube!

A semana de estréias de colunistas continua aqui na BlocoSe7e. Hoje, apresentamos a coluna Cars and Calories de autoria do irmão das antigas, Felipe Sata. Quando criança fazia a barba, hoje é professor, tradutor, baterista, amante de carros antigos e algumas outras coisas que não vem ao caso nesse espaço.

No final do post ele explica o tema coluna, poupando-me de maiores apresentações. Confira!

The grass is always greener on the other side (or up there?)

A idéia de que a grama é sempre mais verde na casa do vizinho é um tanto quanto intrigante, em minha opinião. O problema é que, caso estejamos falando de um vizinho próximo, tal constatação pode ser óbvia. Bastaria comparar a pigmentação da grama da casa de seu vizinho com a pigmentação da grama de sua casa. Coisa simples de se fazer. Agora, e se o “vizinho” não for tão próximo assim? E se seu “vizinho” for, na verdade, alguns milhares de quilômetros distante de você? Pois é, eu acho que é aí que a coisa complica.

O “vizinho” que trataremos aqui é o país de casas com cerquinhas brancas, do patriotismo, dos filmes super produzidos, dos atletas mais bem preparados, da música internacionalmente consumida…, ou seja, o país onde “todos” querem estar, a vida que “todos” querem levar. Afinal, até agora só citamos coisas invejáveis, não?

Até aí eu creio que não surgiu nenhuma novidade. Afinal, enquanto você lê isso aqui (sim, usei “isso” por falta de melhor definição), alguém está assimilando/absorvendo um pouco mais da cultura “imposta” por tal país.

Por que coloquei “imposta” entre aspas? Porque cada um assiste, ouve e usa aquilo que quer. Não acredito que podemos afirmar que os Estados Unidos da América socam seus frutos goela abaixo do povo.

O conceito de cool varia de acordo com o que cada um costuma ver ou circulo social onde vive. A idéia de que algo é fashion também. Você pode usar uma roupa trendy, mas tome cuidado para não ficar over.

Juro que não quero invadir o espaço da Tiemi Higa, mas certos assuntos fazem com que usemos palavras que não são de nosso vocabulário a fim de nos expressarmos melhor.

Seria isso parte da “invasão” da cultura norte-americana em nossas vidas?

Bom, partindo do princípio que adaptamos palavras, fazemos decalques (elemento esse que nada mais é do que fazer com que a pronúncia de determinada palavra estrangeira seja expressa através da grafia de uma outra – ex: “tuiter” para twitter) e até mesmo fazemos com que vocábulos sejam empregados de maneira um tanto quanto diferente do original (caso de outdoor – que nada tem a ver com propaganda, mas sim uma palavra que serve para definir atividades ao ar livre – para definir algo que em inglês é chamado de billboard), concluo que não existe invasão, mas sim um desejo enorme de fazer com que algumas palavras estrangeiras façam parte de nosso dia-a-dia. Pergunta que não quer calar… PORQUÊ? Porque é cool?

Em tempos antigos, como podemos ver no filme “A múmia” (produção roliudiana), falar outra língua salvava vidas, fazia de você uma pessoa importante. Logo, gerava status. Era muito comum a tropas que invadiam determinadas terras trazerem consigo reféns falantes do idioma local haja vista que, em determinado momento, poderiam ter de se comunicar com nativos daquela terra. Sendo assim, falar determinado idioma virava meio de sobrevivência.

Hoje em dia não é muito diferente. Todos sabemos que para ter um bom emprego é necessário falar, pelo menos, um idioma além do nativo de seu país. No filme “Quem quer ser um milionário” fica constatado que, até mesmo em países que há pouco tempo não eram considerados referência, falar outra língua (inglês) é importante e costumeiro. Sendo assim, não é somente cool, mas sim useful.

Ainda falando de status, creio que certas pessoas fazem uso de vocábulos de outros idiomas a fim de mostrar algo para alguém. Porém, reitero o que disse, muitas vezes é apenas um fruto do meio. Jargões são criados a todo momento. Muitos deles usam palavras em inglês somente para facilitar.

Por exemplo: Se você acabou de comprar uma TV e quiser fazer uso dessa, terá de conectá-la, certo? Na minha TV (que tem manual em português) a descrição das conexões de entrada de imagem são em inglês (input). Muito provavelmente o fabricante utilizou o mesmo molde de peça estampada para televisores vendidos aqui e lá. Bom, pelo menos é nisso que quero acreditar.

Sendo assim, a causa foi meramente financeira. Nada a ver com cultura! Eles não querem invadir nosso espaço, NÓS é que queremos estar lá e não podemos.

É óbvio que cultura não se resume somente a língua. Há outros fatores também envolvidos. Mas isso é assunto para as semanas seguintes.

Em suma, a partir de hoje, todas as sextas você poderá ler sobre a “invasão sorrateira da cultura norte-americana em sua vida” e alguns pontos de vista a cerca de tal assunto.

Por Felipe Sata

Edição e Revisão: Ikie Arjona

BlocoSe7e Staff

Resenha MapaFrame

Postado por blocose7e Em novembro - 10 - 2009 1 COMMENT

Acabou na última sexta-feira(06/11) a exposição MapaFrame do coletivo Atelier Livre, dos artistas Daniela Cordeiro, Karina Marques, Flávio Camargo (SERES) e Toni William. Tive a oportunidade de visitar todos os dias da curta temporada dessa exposição e conversar bastante com eles, principalmente com o Flávio e o Toni.

Dessas conversas pude extrair muito do conceito do projeto, e de maneira democrática expor meus pontos de vista sobre os trabalhos. Além de conhecer muita gente talentosa que circula por esse meio.

Captei alguns vídeos deles falando bastante sobre o processo produtivo, as influências e o desenvolvimento das obras. Enquanto não fica pronta a edição final, confira esse texto inspirado pela exposição, que foi feito in loco por este que vos escreve,  durante a produção do mega painel que infelizmente já foi desmontado no Atelier do Centro.

Coletores

Subverter a estética e simplificar a maneira de (des)construir os padrões pré-fixados ao seu redor. Abraçar a cidade, perceber e seleionar as melhores desgraças sociais à sua arte. Intervir diretamente nas catástrofes visuais que estão espalhadas por todos os cantos, sempre tirando do lixo as melhores perspectivas de evolução do trabalho.

A colagem utilizando apenas as sobras para caracterizar um ambiente, ou construí-lo a partir do que foi abandonado é comum. Triste e desumano, mas comum. Objetivamente utilizado por falta de opção de quem necessita, e falta de percepção de quem não o aproveita. É saber fazer a precariedade jogar a seu favor e com criatividade transpor todas as dificuldades.

Observe ao seu redor  deixe de lado a distinção entre feio e bonito, novo e velho, sujo e limpo, habitado e abandonado, pronto e inacabado. Após esse exercício, questione-se.

O que você faria e como transformaria esse espaço ou objeto.

Minha leitura da exposição se volta para as dificuldades e desafios das grandes cidades. De como os habitantes, governantes terão de se envolver para torná-las mais humanas e confortáveis. A otimização de espaços, reaproveitamento de materiais, a reformulação dos conceitos de individualidade, um novo plano de educação, melhores e mais eficientes sistemas de abastecimento, entre outros.

Em uma das conversas, ao passar essas informações para os artistas, percebi que não passei longe do que gostariam de captar. Cada um enxerga ao seu modo, procurei aumentar meu campo de visão sobre o que estava vendo naquele momento. Não visualizar apenas a precariedade se transformando em arte. E sim, refletir como algumas soluções para nosso melhor bem estar está muito concreta em pequenas ações que (não) enxergamos todos os dias, e principalmente, como o fomento às artes é de extrema importância para o desenvolvimento mais pleno dos conceitos educacionais,  sócio-ambientais, etc.

Por Ikie Arjona

BlocoSe7e Staff

Outside Scissors #01

Postado por blocose7e Em novembro - 9 - 2009 13 COMMENTS

Estréia hoje a coluna de moda aqui na BlocoSe7e. Depois de ensaiar muito, finalmente conseguimos alguém para escrever sobre algo tão controverso. E para minha felicidade, quem assumiu a bronca foi uma garota que conheço de longa data, Tiemi Higa, ou a Cintia.

Há 15 anos atrás, nem imaginava que existiria algo como a internet, ou que faria parte de um portal de mídia, muito menos que uma japonesinha marota, na época com menos de 1 m de altura, escreveria um editorial de moda nesse portal.

Irmã de uma das minhas grandes amigas, hoje pouca coisa mais alta, e com um talento enorme Tiemi Higa fala sobre moda, comportamento e história! Divirta-se.

A Revolução Francesa, o Séc. XXI e a Loira da Uniban

Tendências, desfiles, fashion weeks, os últimos modelitos das celebs, red carpet, o certo e o errado. Tudo isso é o que eu não vou falar aqui. Não como primeiro artigo.

Aproveitando o espaço que a BlocoSe7e me deu pra escrever sobre moda, pensei muito no que dizer. E na minha opinião, falar de moda vai muito mais além do que os mencionados acima.

Quem lê os principais blogs de moda, tem twitter, vê Geraldo Brasil ou lê o The New York Times, sabe que uma estudante de turismo da Uniban teve que sair escoltada pela Polícia Militar após ser hostilizada por cerca de 700 outros estudantes da universidade, devido às roupas que ela trajava: salto alto e minivestido pink. Estava sexy e pronta pra balada, como foi confirmado pela mesma (iria para uma festa após a aula). Todavia isso é irrelevante aqui.

Eu fiquei rosa choque que nem o vestido dela!

Geisy Arruda, estudante de turismo da Uniban (Sei lá, eu nem achei tão curto assim).

Além das óbvias questões que esse acontecimento levanta, o feminismo, a perseguição machista, o desrespeito à liberdade da estudante, o papel da Universidade, etc. Me parece que em uma noite voltamos anos atrás e o conservadorismo do vestuário, a taxação que as mulheres sofriam para se vestir retornaram!

O escândalo foi retrógrado – quem me segue no twitter, viu que fiquei sabendo logo na manhã seguinte do ocorrido, pois trabalho com uma aluna da Uniban. Tamanho foi o escândalo, que as suspeitas eram de que ela havia tirado a saia e estava “bem loca”!

Nunca imaginaríamos que era pelo tamanho do vestido! Mas até mesmo os revolucionários franceses de três séculos atrás estavam mais a frente que 700 universitários do século XXI:

Decreto de 8 de brumário do ano II (29 de outubro de 1793):

Ninguém não importando o sexo, poderá obrigar nenhum cidadão a se vestir de maneira particular, sob pena de ser considerado e tratado como suspeito e perseguido como perturbador da calma publica: cada um e livre para usar uma indumentária particular ou adequar a maneira de vestir que lhe convier. ¹

O decreto aconteceu, pois antes havia proibição do uso de certos tecidos e cores que eram exclusivos do clero e da nobreza.

Os franceses sabiam do que falavam – tá, eu sei que o intuito não foi apenas dar plena liberdade de se vestir, mas tá valendo! – e acho que todos deviam ser OBRIGADOS a saber disso!

Não estou discutindo aqui a respeito de etiqueta, de dresscode, se foi inapropriado ou não, mas é lamentável que as pessoas discutam tanto à cerca do tamanho do vestido.

Gente! Ninguém está falando aqui da antiga civilização chinesa Duan Qun Miao (que literalmente significa “saia curta Miao” em chinês. Isso foi em referência às saias curtas “que mal cobrem as nádegas” usadas por mulheres da tribo, e que eram “provavelmente chocantes” para os observadores do povo han durante a Idade Média e Idade Moderna). E “mais recentemente” nos anos 60, quando a minissaia foi considerada símbolo da moda e subversão, ditada pela estilista Mary Quant.

Nessas datas, considerando-se o conservadorismo devia ser chocante mesmo! Estamos falando de tempos que já nos livramos do espartilho, nos livramos da proibição do uso da calça e de toda a formalidade e padronização que a sociedade nos impunha. Será mesmo?

Mulheres antes eram presas por usar calça e, hoje, são expulsas de universidades.

Acho tão absurdo que me questiono se o caso não devia estar todo voltado para o comportamento da(s) pessoa(s) e deixar de lado a recriminação ao vestido.

Pra mim o vestido é inocente! Deixem o vestido em paz! E se foi piriguetismo, já é outro assunto, né? E que não cabe aqui nessa coluna, sem alimentação de preconceito.

Uma roupa pode chocar sim, mas muito mais a pessoa que o veste. Afinal, você tem que vestir a roupa e não deixar ela te vestir.

E você que condena… Condena esses modelos desfilados na última edição do SPFW para o verão?

Eu teria todos no meu armário! Uó, né?

¹ – A moda e seus desafios -50 Questões Fundamentais, de Frédéric Monneyron -Editora Senac São Paulo

Por Tiemi Higa

Revisão e Edição: Ikie Arjona

BlocoSe7e Staff

     

    © 2006-2010 BlocoSe7e Mídias Culturais | BlocoSe7e

    Versão 1.0 (Beta)
    Todas as imagens de bandas, artistas e etc são
    marcas registradas dos seus respectivos proprietários

    Powered by WordPress
    Posts (RSS) e Comentários (RSS).