
Sábado, 30 de janeiro de 2010. Nesse dia eu vi algo épico, histórico. Cheguei ao estádio do Morumbi 18h e a galera parecia estar toda fora do estádio, que já estava com as portas abertas pra quem quisesse guardar um bom lugar pra assistir o segundo show no Brasil da tour World Magnetic, último album do Metallica, banda que, na minha opinião, é a maior banda de metal da história.
Mas já vamos chegar nos donos da noite. 20h cravadas e o Sepultura, banda de abertura da noite, entrava no palco. Confesso que não sabia o que esperar da banda brasileira. Estava até meio com o pé atrás em relação ao show deles porque ali é, definitivamente, o Sepultura New Generation. O show durou cerca de 40 minutos e, fora o som que ainda não estava na melhor das condições, o show não convenceu. As músicas do último trabalho dos caras, A-Lex, não parecem funcionar muito bem ao vivo, até mesmo porque não chegam a lembrar o bom e velho Sepultura.
As clássicas como Territory e Roots Bloody Roots animaram mas o show (tudo bem, foi apenas uma abertura mas se aceitaram o convite deveriam fazer por merecer) ficou longe de ser um show digno da importância da banda para a história do metal.
Sepultura fora do palco, roadies do Metallica ao palco. O amor dos fãs de metal pela banda americana é tamanho que a cada acorde que os roadies tocavam parecia que era o próprio Metallica afinando seus instrumentos.
Gritos e olas aconteciam nas arquibancadas. Frases ofensivas ao pessoal que estava na pista também mas isso faz parte e chegou a ser engraçado, já que foi uma brincadeira e não houve violência nesse “protesto” dos de cima para os bem localizados de baixo. Com 10 minutos de atraso a famosa introdução de “The Good, The Bad & The Ugly” apareceu no telão e, confesso, arrepiou.
Logo após uma cena do famoso western, os 4 cavaleiros do apocalipse entram no palco lançando logo de cara “Creeping Death”, um (dos muitos) clássicos da banda. A partir disso foi soco na cara atrás de soco na cara e todos desferidos com extrema perfeição. James Hetfield mostrou porque é considerado um dos melhores guitarristas e vocalistas do metal. Não desafina e não se atrapalha, não esquece letras (aprenda, Axl) e sempre muito carismático. Ele é, definitivamente, O CARA! E o resto é tão impressionante quanto o frontman.
Kirk Hammet, muitas vezes menosprezado, esteve impecável, mandando ver na guitarra mostrando que é sim um dos melhores músicos de sua geração e que merece respeito e merece estar onde está. Lars Ulrich… O pequeno dinamarquês mais odiado do mundo (pelo menos da internet) mostra que what you see is what you get: um baterista de metal não muito técnico, mas com a pegada necessária pra ninguém botar defeito. Fora a presença de palco que, seja sentado, ou seja, batendo em sua bateria de pé, é memorável, um dos bateristas mais empolgantes de se ver (e de se ouvir também, por que não?).
Robert Trujillo, o mais novo da família, mostra que a vaga deixada por Jason Newsted está em boas mãos, provavelmente mãos melhores que as do próprio Jason, e dá o seu toque pessoal para os clássicos e faz a linha de baixo precisa e afiada para as novas canções. Quem foi não vai esquecer.
Talvez alguns (como eu) sentiram faltas de algumas músicas como “Fuel” e “Battery”, mas pra que todos saiam completamente satisfeitos, o Metallica teria que tocar no mínimo 4 horas. O set list passeou entre os cinco primeiros álbuns da banda e Death Magnetic, pulando os polêmicos Load, Reload e St. Anger e a escolhe das músicas foi maravilhosa, com destaque para “Sad But True” que ao vivo ganha um peso impressionante e o hino “Master of Puppets”. Eu digo “destaque” com dor no coração porque apontar apenas duas músicas como pontos altos do show chega a ser praticamente um pecado.
Ao final da noite, um emocionado James Hetfield era visto no telão pelo público de 68 mil pessoas, embasbacado com o que acabava de acontecer. Juro que, por algum momento, pensei até mesmo que poderia rolar mais um som, algo totalmente inesperado em show dos caras já que eles sempre terminam a noite com “Seek And Destroy” e, infelizmente, realmente não aconteceu.
Espero poder assistir novamente essa banda, mas se por acaso, isso não acontecer morrerei um pouco mais realizado devido a noite de ontem. Foi algo surreal, irmãos e irmãs. Quem saiu sem sorrir não foi porque não estava satisfeito e sim porque ainda não tinha caído a ficha do que nós tínhamos acabado de ver: a história bem na nossa frente que foi tudo e mais um pouco do que o público brasileiro esperava. E como Lars disse ao final: a volta ao Brasil demorou 11 anos e eles não deveriam esperar mais 11 para destruir tudo novamente por aqui, no jeito Metallica de destruir!
Setlist:
“Creeping death”
“For whom the bell tolls”
“The four horsemen”
“Harvester of sorrow”
“Fade to black”
“That was just your life”
“The day that never comes”
“Sad but true”
“Broken, beat and scarred”
“One”
“Master of puppets”
“Blackened”
“Nothing else matters”
“Enter Sandman”
Bis
“Stone cold crazy” (cover de Queen)
“Motorbreath”
“Seek and destroy”
Por Clids
BlocoSe7e Staff















